José Wilker estreia na direção com o constrangedor "Giovanni Improtta"

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Longa produzido por Cacá Diegues leva ao cinema personagem do ator na novela "Senhora do Destino"

José Wilker estreou como ator no cinema em 1965 e, duas décadas depois, fez seu primeiro trabalho como diretor na televisão. Com o tempo, tornou-se um dos principais comentaristas de filmes no Brasil, batendo ponto na transmissão do Oscar todos os anos.

Talvez a longa e prolífica carreira explique a surpresa causada pelo fato de Wilker fazer seu primeiro filme como diretor de cinema apenas agora, em 2013. Mais surpreendente ainda é o fato de ter escolhido estrear com "Giovanni Improtta", um dos mais fracos representantes da recente safra de comédias nacionais.

Entrevista: "Cinema nacional precisa se associar à televisão", diz José Wilker

Imagem do filme 'Giovanni Improtta'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Giovanni Improtta'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Giovanni Improtta'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Giovanni Improtta'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Giovanni Improtta'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Giovanni Improtta'. Foto: Divulgação

Se o gênero é frequentemente criticado por reproduzir a estética da televisão no cinema, "Giovanni Improtta" nem tenta negar tal relação. Produzido por Cacá Diegues, o longa leva às telonas o personagem que Wilker interpretou na novela "Senhora do Destino", de Aguinaldo Silva, exibida em 2004.

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Na época, Improtta, também tema de um livro do autor, caiu nas graças do público por causa das roupas extravagantes, a mania de grandeza e o português incorreto, consagrado principalmente pelo bordão "Felomenal".

Wilker comprou os direitos para usá-lo no longa, no que pode ser uma nova tendência nacional - Crô, personagem de Marcelo Serrado na novela "Fina Estampa", também chegará aos cinemas pelas mãos de Bruno Barreto.

No caso de "Giovanni Improtta", a trama do filme se passa antes de "Senhora do Destino" e só incorpora um ator do elenco da novela, André Mattos. Depois de ficar milionário com o jogo do bicho, Improtta quer ascender socialmente entrando para o ramo dos cassinos, que podem ser legalizados pelo governo. Os principais obstáculos são seus problemas com a polícia, incluindo uma acusação de assassinato, que vai tentar resolver com todo tipo de trambique.

Veja o trailer de "Giovanni Improtta":

O jeitinho brasileiro vai ao limite em "Giovanni Improtta", que mostra corrupção, suborno, abuso de poder, troca de influência e até tráfico de órgãos. A pretensa intenção de discutir tais temas de forma irônica fracassa diante dos personagens clichês (o pastor evangélico mentiroso, o delegado corrupto) e do roteiro fraco, que se apoia no carisma do personagem para quase glorificar seus crimes (ou "contravenções", como ele prefere).

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O que não seria necessariamente um problema se ao menos as piadas fossem boas. A aposta dos realizadores, porém, é fazer humor a partir do ridículo, como a cena em que Wilker entra numa banheira usando touca e gravata borboleta, ou com diálogos marcados pela linguagem usada por Improtta. 

Assim, espera-se que o público ria da má utilização de pronomes ("preciso se retirar" e "me esqueci-me"), repetições e obviedades ("a lei dos cassinos é a lei dos cassinos"), expressões equivocadas ("lei de Smurf" e "assunto de extrema gravidez"), além de uma série de comentários sobre "flatulência". Em uma palavra: constrangedor.

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