Nova musa Christa Théret diz que "cinema francês é um Don Juan"

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

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Aos 21 anos e com dois filmes no Festival Varilux, atriz-sensação fala ao iG sobre desafios e dificuldades da carreira

Ela tem 21 anos, mas fala com a prudência de alguém mais experiente. Atriz-sensação da França, Christa Théret parece determinada a não se deixar levar pelo elogios da indústria e da crítica, que agregam ao seu nome títulos como "promessa" e "nova musa". "O cinema francês é um Don Juan, um Casanova", define, em entrevista ao iG. "Hoje tem uma musa, amanhã vai ser outra."

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Christa Théret participa da abertura do Festival Varilux de Cinema Francês em São Paulo. Foto: Eliane Rodrigues/Divulgação Christa Théret no filme 'Renoir'. Foto: DivulgaçãoChrista Théret em 'Renoir'. Foto: DivulgaçãoChrista Théret em cena do filme 'O Homem que Ri'. Foto: Divulgação

Filha de um pintor e de uma modelo, Théret nasceu em Paris e começou a carreira aos 11 anos, como a filha de José Garcia em "O Corte", de Costa-Gravas. Aos 15, deixou a escola para se dedicar ao cinema, e foi indicada ao prêmio César de atriz mais promissora em 2008 por "Rindo à Toa", de Liza Azuelos.

De 2010 para cá, fez sete longas, entre eles "Renoir" e "O Homem que Ri", em cartaz no Festival Varilux de Cinema Francês, que começou em 1º e segue até o dia 16, em 45 cidades brasileiras, e que motivou a vinda de Théret a São Paulo e ao Rio de Janeiro nesta semana.

Eliane Rodrigues/Divulgação
Christa Théret tem dois filmes no Festival Varilux

A movimentada carreira colocou a francesa na lista de "shooting stars" do Festival de Berlim de 2013, dedicada a celebrar jovens talentos. "Ela é uma atriz muito precisa, capaz de ir longe e evitar a armadilha fácil de atuar com excesso de sentimentalismo", diz a justificativa do júri. "Oferece um misto de fragilidade, melancolia e carisma."

São elogios que a jovem tenta encarar com os pés no chão. "Por um lado é muito estimulante, pois percebo que estou sendo vista. Por outro, preciso tomar cuidado. Já vi jovens atrizes com carreiras promissoras desaparecerem em dez anos."

"É um mercado muito duro. Nunca sabemos o que vai ser o dia seguinte, se vamos ter outro filme. O ator não é como um médico ou administrador que está sempre avançando. Nós começamos do zero toda vez", completa.

Os dois filmes que Théret apresenta no Varilux mostram sua preferência por dramas e o gosto por histórias ambientadas no passado.

Em "O Homem que Ri", uma adaptação da obra de Victor Hugo, ela é Déa, garota cega e órfã cujo irmão, Gwynplaine (Marc-André Grondin) parece estar sempre sorrindo por causa de uma cicatriz no rosto. Em "Renoir", interpreta uma personagem real, Catherine Hessling, última modelo do pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir e primeira atriz dos filmes de seu filho, o cineasta Jean Renoir.

O longa exigiu difíceis cenas de nudez, que Théret tentou convencer o diretor Gilles Bourdos a retirar do roteiro. "Ele me explicou que era impossível, porque Renoir é carne e corpo, e me mostrou que o contexto não era sexual. Havia um erotismo, mas abstrato. Acho que ficou muito bom", diz.

Fã de Quentin Tarantino, a atriz tem vontade de seguir os passos de conterrâneas como Juliete Binoche, Charlotte Gainsbourg e Léa Seydoux, que se dividem entre filmes franceses e os produzidos em Hollywood.

Com pouco conhecimento sobre o cinema brasileiro ("adorei 'Cidade de Deus'"), ela espera que festivais como o Varilux ampliem o público dos filmes franceses no País. "Além de os americanos pegarem a maior parte do mercado, ainda há muita gente que acha que o cinema francês parou na nouvelle vague (movimento artístico que inclui diretores como Jean-Luc Godard, François Truffaut e  Alain Resnais)", afirma. "Há muitas outras fases que não ficam limitadas à intelectualidade."

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