Diretor uruguaio renova clássico do terror "A Morte do Demônio"

Por Reuters |

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Produzido por Sam Raimi, que dirigiu o original de 1981, filme de Fede Alvarez tem muito sangue e cenas difíceis de assistir

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Quando uma pessoa possuída por um demônio lambe uma lâmina de estilete, desses bem afiados, o público de "A Morte do Demônio" pode se manifestar. Adore ou não, o cru das cenas de extirpação de membros e sangue jorrando das mais diferentes partes do corpo são, no fim, a graça da produção.

Por isso é ruim? Não. Parece melhor que sua inspiração, o filme homônimo de 1981? Sim. Independentemente do que Sam Raimi quis provar com o original, "The Evil Dead - A Morte do Demônio" há 32 anos, o diretor uruguaio Fede Alvarez agora pretendeu superar. Deixe-se a comédia de lado (com anuência do próprio Raimi) e se faça o terror novo, destes que foram criados com "O Albergue" e "Jogos Mortais".

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Imagem do filme 'A Morte do Demônio'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Morte do Demônio'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Morte do Demônio'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Morte do Demônio'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Morte do Demônio'. Foto: Divulgação

Este novo "A Morte do Demônio" é isso. Exibe o pior em cenas de tensão com o corpo alheio em pedaços e descreve o terror com o demônio que as provoca. Como jovem que é, Fede Alvarez se inspirou nas décadas de 1960 e 1970 (em que "Holocausto Canibal" é só um exemplo) para fazer um terror mais passional e intransigente.

Mesmo assim, não foge da história central: cinco amigos na floresta, frente a um demônio que está à espreita. O problema é que quando Eric (Lou Taylor Pucci) abre o livro de magia negra (apesar das claras mensagens contra), é Mia (Jane Levy) quem recebe a entidade. Como ela está em reabilitação, seu irmão David (Shiloh Fernandez) acredita que se trata de um ataque de abstinência.

O que se vê daí para a frente é um festival de cortes e cirurgias amadoras, que faz qualquer pessoa refletir sobre o motivo de não estar fechando os olhos. Por mais que se saiba que não é verdade, há um mínimo de limite. Aqui, esse detalhe não é levado em conta, apesar da classificação etária norte-americana ter pedido para amenizar. Enquanto isso, a bilheteria naquele país no primeiro fim de semana (US$ 26 milhões ou R$ 51,4 milhões) cobriu duas vezes o custo de produção.

No fim, entende-se que Sam Raimi não escolheu Fede Alvarez apenas para perpetuar seu filme. Escolheu alguém para melhorá-lo, sem (mesmo como fã) perder as referências do original. Melhor: existe uma narrativa que, por mais pobre que pareça, não perde a intensidade do primeiro.

Faz sentido histórico. O próprio Raimi, antes de "The Evil Dead - A Morte do Demônio" (1981), fez alguns curtas de terror na década de 1970 com seu ator-coqueluche, Bruce Campbell (que liderou a franquia de "A Morte do Demônio"). Na época, ainda no começo de sua carreira, já sabia a importância de fazer algo novo, por mais que quisesse driblar a velha guarda (Ruggero Deodato, Mario Bava, Lucio Fulci etc).

Fede Alvarez não prescindiu de qualquer elemento de tensão, pois foi descoberto por seu mentor no curta "Ataque de Pânico" (disponível no youtube), em que gigantes invadem Montevidéu. Memorável como Raimi, não. Mas bastante respeitável numa carreira que pode alcançar muito sucesso.

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