Com Denise Fraga, "Hoje" usa história de amor para discutir traumas da ditadura

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

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Excessivamente teatral, novo longa de Tata Amaral se passa em um único e dia e concentra a ação em apartamento no centro de São Paulo

Como o título indica, a trama de "Hoje", filme de Tata Amaral que estreia nesta sexta-feira (19), se passa em um único dia. Há, também, apenas um cenário: um apartamento em São Paulo que serve de palco para o início de uma nova vida e um acerto de contas com o passado.

Esse formato "minimalista" é a característica mais marcante de "Hoje", grande vencedor do Festival de Brasília de 2011, que pretende discutir os traumas da ditadura militar a partir de uma história intimista ambientada em 1998.

Imagem do filme 'Hoje'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Hoje'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Hoje'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Hoje'. Foto: Divulgação

Ex-militante política, Vera (Denise Fraga) realiza o sonho de comprar seu apartamento, uma conquista que só foi possível com a indenização recebida pelo desaparecimento do marido, Luis (o uruguaio Cesar Trancoso, de "O Banheiro do Papa"), durante o regime militar.

O recomeço planejado por Vera se vê ameaçado pelo reaparecimento de Luis no exato dia da mudança. Juntos novamente após 30 anos, os dois se veem forçados a lidar com acontecimentos e traumas do passado, principalmente ligados à tortura.

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"Hoje" conta principalmente com as boas atuações de Fraga e Trancoso para fazer a história avançar, já que, sem o uso de recursos como flashback, cabe aos atores revelar lentamente os detalhes da relação. As conversas e as discussões entre os dois são quebradas poucas vezes, apenas pela presença dos carregadores ou da síndica do prédio, e o fato de a ação estar concentrada em um só cenário ajuda a manter uma constante tensão no ar.

Por outro lado, as idas e vindas pelos cômodos e o abrir e fechar de portas reforçam o incômodo aspecto teatral de "Hoje", que também usa projeções visuais para quebrar o realismo da narrativa. Conforme cartas de amor e notícias de jornal passam pelas paredes, o longa perde força, bem como a discussão que tenta propor ao público.

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