Bernardo Bertolucci volta às telas com drama adolescente "Eu e Você"

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Após problemas de saúde, consagrado diretor italiano de 73 anos filma história sobre meio-irmãos que convivem por alguns dias em um porão

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Afastado do cinema desde 2003, quando realizou "Os Sonhadores", por conta de sérios problemas de coluna - que lhe custaram ficar paraplégico -, o premiado cineasta italiano Bernardo Bertolucci voltou, finalmente, a filmar, entregando em "Eu e Você" um drama adolescente bem contemporâneo, adaptando com liberdade o romance de Niccolò Ammaniti.

É um retorno cauteloso, em que se sente que Bertolucci procura um diálogo com o público, no que foi bem-sucedido, já que o filme teve sucesso nos cinemas italianos no ano passado.

Imagem do filme 'Eu e Você'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Eu e Você'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Eu e Você'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Eu e Você'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Eu e Você'. Foto: Divulgação

O diretor continua interessado em pulsões juvenis, aqui confrontando dois meio-irmãos, Lorenzo (o estreante Jacopo Olmo Antinori) e Olivia (Tea Falco). Os dois são filhos do mesmo pai, mas mal se veem, devido ao conflito insolúvel entre suas mães.

Lorenzo e Olivia acabam convivendo estreitamente por alguns dias, quando o garoto se esconde no porão do próprio prédio, mentindo para a mãe sobre ter ido a uma excursão da escola. Preparado para desfrutar de alguns dias de solidão, com surpresa recebe a visita da irmã, que sofre de aguda dependência química e tenta isolar-se de seus problemas.

Tendo como cenário praticamente único este porão e focando nos dois personagens, o diretor cria climas, expectativas. Parece que nada vai acontecer, em alguns momentos. Em outros, a fronteira de uma tragédia se avizinha, especialmente quando se agrava a crise de abstinência de Olivia.

Dessa maneira, Bertolucci mantém os espectadores ligados no destino dos dois irmãos. Se é verdade que se trata de uma pequena história, está encharcada de grandes questões.

O diretor, de 73 anos, claramente se interroga sobre quem são estes jovens de hoje, retratando com interesse afetuoso sua ligação estreita com a tecnologia e a fixação em drogas, diferentes mas também de algum modo semelhantes aos mais politizados protagonistas de "Os Sonhadores", ambientado em 1968.

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Os dois jovens atores, por sua vez, entram nos seus papeis com muita energia, servindo à história com uma verdade que também é a deles próprios.

Ainda que enxergando qualidades no filme, que bem pode servir como metáfora a uma Itália isolada em si mesma, pode-se, afinal, conceder que não é o melhor Bertolucci de todos os tempos. Mesmo assim, o novo trabalho também não desmerece a biografia do veterano diretor, que carrega na bagagem obras como "1900" (98), "O Último Imperador" (vencedor de nove Oscar em 1988) e "O Conformista" (1970).

O sucesso de público de "Eu e Você" na Itália sugere que a obra pode tê-lo apresentado a novas gerações. A boa notícia é que o cineasta promete filmar em breve de novo. É bom tê-lo de volta para juntar forças ao colega veterano, Marco Bellocchio, este filmando com energia obras criativas como "Irmãs Jamais", também estreando no Brasil esta semana.

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