Em "Angie", Márcio Garcia faz road movie permeado por clichês

Por Reuters |

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Talento da atriz Camilla Belle não consegue superar fraca trama do longa, segundo do brasileiro na direção

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Há de se notar algo que pode se chamar de evolução no segundo filme do ator Márcio Garcia na direção, "Angie". Em seu primeiro trabalho, "Amor por Acaso", a cena mais marcante acontecia no final, quando o próprio Marcio aparecia num deslocado merchandising de xampu, pouco antes dos créditos. Em seu novo filme, também há duas propagandas: uma inserida na trama e outra nem tanto.

A primeira mostra um creme de barbear e a outra envolve a cidade de Vitória, que funciona como um cenário bonito e exótico onde moram a mãe (Christiane Torloni) e a irmã (Carol Castro) de Angie (Camilla Belle, de "À Deriva"), a protagonista que viaja aos Estados Unidos em busca do pai que abandonou a família.

Imagem do filme 'Angie'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Angie'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Angie'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Angie'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Angie'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Angie'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Angie'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Angie'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Angie'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Angie'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Angie'. Foto: Divulgação

"Angie" é basicamente um road movie no qual Angie pula de cidade em cidade, seguindo as pistas de seu pai. Na primeira parada, trabalha numa lanchonete, onde recebe cantadas inconvenientes, e sua melhor amiga, Louise (Kristi Clainos), quer arrastá-la para a igreja mais próxima. Ela também faz um amigo, Chuck (um barbudo Andy Garcia), eremita local, sem família ou amigos mas que se aproxima da garota e serve até de modelo para as pinturas dela.

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Quando Angie se cansa da cidade, resolve cair no mundo. Na estrada, conhece o patrulheiro David (Colin Egglesfield), que em lugar de aplicar uma multa, se apaixona pela garota, arruma um emprego para ela no restaurante da prima (Juliette Lewis), paga o conserto de seu carro, dá casa e comida, e, em pouco tempo, está com um anel de noivado para colocar no dedo dela.

Isso, é claro, assusta a moça - como aconteceria a qualquer pessoa de bom senso - e, novamente, ela vai embora, para alegria da prima do patrulheiro, que sempre achou que Angie não era bem uma garota de família.

O roteiro de Julia Camara ("Área Q") faz questão de não só flertar, mas também namorar e casar com todos os clichês que coloca pelo caminho: garota sensível em busca do pai, eremita sujo mas de bom coração, prima mesquinha, jovem doce e ingenuamente apaixonado, mãe desesperada, até chegar a um final surpresa, que mais parece um furo no roteiro  -tudo isso banhado por um clima típico de filmes independentes norte-americanos.

Nada disso seria um problema, se as figuras fossem mais bem resolvidas enquanto personagens. Camilla é boa atriz e se esforça mais do que "Angie" merece. Mas sozinha não é capaz de superar as limitações que independem dela.

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