Filme 'Uma História de Amor e Fúria' defende luta política e resistência

Por Susan Souza , iG São Paulo | - Atualizada às

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"Temos uma presidente ex-guerrilheira. Quantos filmes Hollywood já teria feito?", indaga diretor de animação politizada que tem Selton Mello e Camila Pitanga na dublagem

"Se você pensar que a gente tem uma presidente da república que, nos anos 60, assaltava banco e era guerrilheira, quantos filmes Hollywood já teria feito sobre isso? A historia é dada, ela é trágica, é shakespeariana", reflete o diretor Luiz Bolognesi, estreante na função, conhecido por seus trabalhos como roteirista ("Bicho de Sete Cabeças", "Chega de Saudade").

Luiz é responsável pelo roteiro e direção do longa de animação nacional "Uma História de Amor e Fúria", que estreia nos cinemas nesta sexta-feira (5). O filme tem como temática o engajamento social e a importância de se conhecer as lutas vividas pelos brasileiros em vários momentos históricos. Tudo isso em forma de ilustrações em 2D, com inspiração em graphic novels, para o público que gosta de histórias em quadrinhos. Neste caso, a história do Brasil em quadrinhos.

Exclusivo: Veja making-of de "Uma História de Amor e Fúria"

Animação nacional "Uma História de Amor e Fúria" traz debate sobre engajamento político. Foto: DivulgaçãoAnimação nacional "Uma História de Amor e Fúria" traz debate sobre engajamento político. Foto: DivulgaçãoAnimação nacional "Uma História de Amor e Fúria" traz debate sobre engajamento político. Foto: DivulgaçãoAnimação nacional "Uma História de Amor e Fúria" traz debate sobre engajamento político. Foto: DivulgaçãoAnimação nacional "Uma História de Amor e Fúria" traz debate sobre engajamento político. Foto: DivulgaçãoAnimação nacional "Uma História de Amor e Fúria" traz debate sobre engajamento político. Foto: DivulgaçãoAnimação nacional "Uma História de Amor e Fúria" traz debate sobre engajamento político. Foto: DivulgaçãoAnimação nacional "Uma História de Amor e Fúria" traz debate sobre engajamento político. Foto: DivulgaçãoAnimação nacional "Uma História de Amor e Fúria" traz debate sobre engajamento político. Foto: DivulgaçãoAnimação nacional "Uma História de Amor e Fúria" traz debate sobre engajamento político. Foto: DivulgaçãoAnimação nacional "Uma História de Amor e Fúria" traz debate sobre engajamento político. Foto: DivulgaçãoAnimação nacional "Uma História de Amor e Fúria" traz debate sobre engajamento político. Foto: DivulgaçãoAnimação nacional "Uma História de Amor e Fúria" traz debate sobre engajamento político. Foto: DivulgaçãoAnimação nacional "Uma História de Amor e Fúria" traz debate sobre engajamento político. Foto: Divulgação

As vozes dos personagens principais são feitas por Selton Mello e Camila Pitanga. Rodrigo Santoro faz algumas participações. A história conta a trajetória política e amorosa de um guerreiro indígena que, ao morrer, vira um pássaro e reencarna em quatro momentos históricos para o País: a colonização, a escravidão, a ditadura militar e um tempo futurista que vive a guerra pela água potável.

A alma masculina interpretada por Selton sempre reencontra sua Janaína (Camila Pitanga), alma feminina por quem é apaixonado há 600 anos. Juntos, eles lutam contra um sistema opressor persistente, simbolizado e incitado por uma figura da mitologia indígena: Anhangá, o Senhor dos Mortos.

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A história foi totalmente construída com a delicada e lenta técnica de animação clássica que usa lápis sobre papel. Ao todo, o longa levou três anos para ter seu projeto finalizado e mais seis de produção. Foram investidos R$ 4,5 milhões e uma equipe de cerca de 40 jovens trabalhou na ilustração guiada pelas vozes gravadas previamente pelos atores. Este processo de gravação, feita antes do vídeo ser criado, é o caminho inverso ao que se costuma ver nas dublagens.

"Durante muito tempo eu 'corri atrás das bocas', que é como a gente brinca na dublagem. Eu tinha que ir naquele sincronismo, tentando dar o meu sabor, mas nem sempre é possível. Aqui tinha o Luiz que intuía que filme era esse, ainda desenhando, e eu intuía o que ele queria. E ele queria a verdade. Quanto menos dublador eu fosse, quanto menos cacoete, melhor seria o resultado", explicou Selton Mello, que se considerou surpreso com o resultado: "aprendi coisas de História que eu não sabia".

Para o embasamento dos fatos retratados, Luiz juntou uma equipe de estudantes de mestrado - três em antropologia, um em história e um em psicologia - para levantar os dados e ajudar na simbologia dos personagens.

"Ficamos um ano pesquisando a história do Brasil e os elementos que você encontra são maravilhosos para fazer filmes. A história é apaixonante, então isso era fácil. O difícil era ficar só com quatro episódios", ponderou. O fator decisivo para seleção de cenas, completou o diretor, foi verificar o quão relevante os momentos foram para o Brasil. "Ficamos com as opções dramaturgicamente mais ricas e emblemáticas".

O filme "Uma História de Amor e Fúria" vai, sobretudo, a um lugar pouco explorado pelas grandes produções nacionais. A animação voltada para jovens e adultos, feita com tecnologia compatível ao que se desenvolve em grandes estúdios estrangeiros, além de ser plasticamente interessante traz a temática da história do Brasil de uma maneira menos didádica e, de certo modo, otimista. As personagens enfrentam problemas, mas continuam a lutar com suas almas guerreiras.

"Tudo leva a desistir, mas tem muita gente nesse País que, por alguma coisa dentro de si mesmo, não desiste e leva a sério. Eu acho que o filme tem essa pegada de que a gente tem que resistir. Essa luta metafórica contra Anhangá eu acho que é esperançosa", analisa o diretor.

Selton não vê pessimismo na saga do heroi nacional retratado: "o filme mostra um voo de esperança, de amor, de continuar lutando, por mais que tudo esteja ruindo, vamos em frente".

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