'Documentário está mais perto de nós', diz Amir Labaki, do É Tudo Verdade

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Em entrevista ao iG, criador do festival que chega à 18ª edição nesta quinta-feira (4) fala sobre as mudanças e os desafios do gênero

Reprodução
O crítico Amir Labaki, criador do festival É Tudo Verdade

A edição 2013 do festival É Tudo Verdade, que acontece de 4 a 14 de abril no Rio de Janeiro e em São Paulo, marca sua chegada à maioridade. Criado há 18 anos pelo crítico Amir Labaki, o evento se consolidou como a principal vitrine do documentário no Brasil, mantendo-se acessível ao público com entrada gratuita.

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Foi um período de grandes mudanças, no qual o É Tudo Verdade cresceu (depois de Rio e São Paulo, vai a Brasília e Campinas), expandiu sua presença para jornais e programas de televisão e estabeleceu o maior prêmio para longas-metragens nacionais (R$ 110 mil).

Por sua vez, o próprio gênero mudou, estimulado principalmente por avanços tecnológicos que baratearam e ampliaram a produção. "O documentário ficou mais próximo de cada um de nós", afirmou Labaki, em entrevista ao iG. "O impacto da revolução digital contribuiu para tornar mais acessível sua realização, incorporando toda uma nova geração de cineastas. Além disso, facilitou sua distribuição e exibição, ampliando sua presenças nas várias telas: salas de cinema, emissoras de TV aberta e por assinatura, DVD, Blu-Ray e internet."

No Brasil, os documentários musiciais se tornaram o principal motor da produção, com bons resultados nas bilheterias e constante produção de longas sobre artistas como Wilson Simonal, Vinicius de Moraes, Raul Seixas, Jorge Mautner, Tom Jobim, entre outros.

Não por acaso, um filme de Eduardo Escorel sobre Paulo Moura vai abrir o É Tudo Verdade em São Paulo este ano. "Dada a força histórica da música brasileira, havia um débito de nossa produção não-ficcional sobre ela. É salutar acompanhar como essa divída está sendo resgatada", afirmou Labaki.

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Os desafios permanecem, entre eles competir com filmes estrangeiros (a ocupação nacional do mercado, entre ficção e não-ficção, oscila entre 10% e 15%) e lançamentos brasileiros maiores. "No mercado de cinema no mundo inteiro o documentário marca presença apenas em um circuito estreito de salas. O importante é ver essa presença se fortalecendo e, ainda que timidamente, se ampliando", opinou o crítico.

Labaki saudou os mecanismos de fomento à produção de documentários nacionais, mas considerou necessário criar iniciativas mais robustas para apoiar a distribuição e exibição dos longas. “Seria importante destinar verbas públicas diretamente para as despesas típicas de um lançamento, como divulgação, trailers e anúncios”, afirmou.

Divulgação
'Um Homem com Uma Câmera' (1929), de Dziga Vertov, homenageado no festival

A edição deste ano do É Tudo Verdade inclui 82 filmes de 26 países, entre eles China, Irã, Geórgia, França e Estados Unidos. O cineasta soviético Dziga Vertov (1896-1954), considerado um dos pais do documentário, ganhará retrospectiva de seu trabalho.

O É Tudo Verdade também adiantará as discussões sobre os 50 anos do golpe militar de 1964, já que a edição de 2014 acontecerá depois de 31 de março. “O golpe é um trauma histórico nacional ainda não devidamente trabalhado. Era inevitável a um festival de documentários procurar auxiliar, ainda que modestamente, este debate a partir da produção audiovisual não-ficcional”, explicou Labaki.

Além da exibição do documentário "Jango", de Silvio Tendler, feito em 1984, estão programadas duas mesas-redondas para discutir a importância história de João Goulart e do filme de Tendler. Também serão apresentados uma série de curtas feitos pelo IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) nos anos 1960 para minar o governo de João Goulart.

É Tudo Verdade
Em São Paulo e Rio de Janeiro: de 4 a 14 de abril
Em Brasília: de 16/4 a 21/4
Em Campinas: de 23/4 a 28/4
Todas as sessões são gratuitas
Mais informações: site oficial

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