"Rânia" faz retrato sincero de menina que sonha em ser dançarina

Por Reuters |

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Em seu primeiro longa, diretora Roberta Marques consegue contornar limitações de tema e orçamento

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É muito interessante ver quando um cineasta está bem ciente do material que tem em suas mãos e sabe como lidar com ele da melhor forma possível, sem ser mais ambicioso ou modesto do que seu filme comporta. O grande acerto de Roberta Marques, em seu primeiro longa de ficção, "Rânia", que estreia em São Paulo, Rio e Fortaleza, é exatamente este: saber explorar o que o tema tem a oferecer e contornar as limitações, seja no tema ou no orçamento.

Divulgação
Cena do filme 'Rânia', de Roberta Marques

Percebe-se que "Rânia" é um filme de baixo orçamento, o que é compensado com a honestidade com que a diretora - que também assina o roteiro, com Luisa Marques - lida com a personagem central. Trata-se de um filme de personagem, daqueles que acompanham o amadurecimento de um ser humano. É também um filme sobre um rito de passagem para a vida adulta, a perda das ilusões.

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Rânia (Graziela Felix) é uma adolescente - mal deixou de ser menina, na verdade - que mora com a mãe costureira (Ângela Moura) e os irmãos no Morro Santa Tereza, em Fortaleza. O pai (Kennedy Saldanha) é um pescador, que tenta ajudar a família como consegue. A garota gosta mesmo é de dançar, mas nunca alimentou muitos sonhos.

Sua melhor amiga é Zizi (Nataly Rocha), garota de programa que acaba de voltar da Itália, onde viveu com um italiano, e agora ganha a vida dançando numa boate local, vivendo um romance conturbado com Dedé (Demick Lopes). A vida de Rânia começa a mudar com a chegada de Estela (Mariana Lima, de "A Busca"), coreógrafa que pretende montar um grupo de dança moderna na cidade.

Esse encontro é o elemento que tocará Rânia, despertando-a para novas possibilidades. Estela vê na menina uma dançarina em potencial, sabe que há um talento a ser lapidado. Mas a garota precisa lidar com problemas mais concretos e imediatos, como ajudar a mãe com as costuras e cuidar dos irmãos.

Graziela e Nataly, as atrizes que interpretam as personagens centrais, desenvolvem seus personagens de maneira convincente, com interpretações que não destoam de Mariana Lima, atriz mais experiente. Há uma simbiose em cena que faz com que nenhum dos intérpretes esteja em outro tom. Por outro lado, a dramaturgia do longa é tão minimalista que sentimos falta de conhecer um pouco mais sobre as personagens, sobre como chegaram ali, a ser como são.

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