Com Wagner Moura, drama familiar 'A Busca' foge do padrão do cinema nacional

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Entre a comédia de mercado e o filme de autor, longa conta a história de um pai que sai à procura do filho desaparecido

Uma análise simplificada do cinema brasileiro atual costuma dividi-lo em dois extremos: de um lado, as comédias populares (como "De Pernas Pro Ar") e, do outro, filmes autorais de menor público (como "O Som ao Redor"). "A Busca", que estreia nesta sexta-feira (15), tenta se posicionar no meio: conta uma história dramática e reflexiva, mas com atores conhecidos e pegada de suspense.

Leia também: Os 5 personagens mais marcantes de Wagner Moura

Desde o início, o longa estrelado por Wagner Moura parece mesmo diferente. Uma dura discussão entre um casal recém-separado, da qual também participa o filho adolescente, dá o tom do que será o filme: um drama familiar e intimista, que conta uma história simples e focada nas relações humanas. Longe da caricatura, os personagens foram criados de forma a permitir identificação com o espectador.

Wagner Moura em 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoWagner Moura em 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoBrás Antunes, o filho desaparecido de 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoMariana Lima em 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoWagner Moura e Mariana Lima, um casal separado em 'A Busca'. Foto: Divulgação

Por trás de "A Busca" estão as preocupações pessoais do diretor Luciano Moura (nenhum parentesco com Wagner) e da roteirista Elena Soares, que são casados. “Quisemos falar sobre as responsabilidades e os medos de criar um filho, sobre esse entorno familiar que permeia a vida de todo mundo”, disse o cineasta, estreante em longas, durante entrevista em São Paulo.

Wagner Moura é Théo, um homem controlador que está se divorciando da mulher, Branca (Mariana Lima), e encontra cada vez mais dificuldades para se comunicar com o filho, Pedro (o estreante Brás Moreau Antunes, filho do cantor Arnaldo Antunes). Em seu aniversário de 15 anos, o garoto adota um cavalo e foge de casa. A atitude faz Théo sair em uma viagem desesperada à sua procura.

Divulgação
O diretor Luciano Moura e a atriz Mariana Lima no set de 'A Busca'

Leia também: "A Busca" tenta conquistar público com "filme para adultos"

Desde o início fica claro que Pedro não quer apenas fugir, e “A Busca” se esforça para criar expectativa e suspense sobre o que o menino procura. Não é muito difícil arriscar um palpite logo de cara já que, embora bem estruturado, o roteiro segue um modelo bastante convencional.

Chama a atenção, por exemplo, o fato de em nenhum momento Théo e Branca considerarem a possibilidade de envolver qualquer tipo de autoridade ou órgão oficial na busca por Pedro.

Questionada sobre isso, a roteirista argumentou que muita gente teme a polícia, enquanto o diretor explicou que pistas deixadas pelo menino tranquilizam os pais. Está claro, porém, que a real razão de o próprio Théo ir atrás do filho é uma só: poder lançá-lo em uma jornada de autodescobrimento que Wagner Moura comparou a "Procurando Nemo".

Siga o iG Cultura no Twitter

O caminho percorrido por Théo inclui algumas metáforas fracas e óbvias, como quando ele faz o parto de uma jovem em uma noite escura, à beira do rio, em condições precárias. Para os realizadores, foi o momento em que o personagem nasceu de novo. Para o espectador, parece uma cena dispensável e fora de lugar. Mais eficaz, por exemplo, é a sutil mudança estética do filme, que acompanha a transformação de Théo ao passar do cinza que marca a briga inicial para paisagens ensolaradas e coloridas.

A atuação de Moura e uma bonita cena com Lima Duarte, que comove sem excesso de sentimentalismo, são outros pontos positivos. Mas tudo isso parece menor diante do grande mérito de "A Busca": provocar uma bem-vinda sensação de que há muito a se explorar no cinema nacional.

Leia tudo sobre: a buscawagner mouracinema nacional

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas