Evento em Florianópolis reuniu realizadores, exibidores e jornalistas e mostrou três dos principais lançamentos do ano: “Vai Que Dá Certo”, “Somos Tão Jovens” e “Flores Raras”

Fortalecer parcerias entre empresas, investir em diferentes gêneros e ampliar o número de filmes produzidos a cada ano são os principais caminhos apontados para o futuro da cinematografia brasileira no 4º Encontro do Cinema Nacional, evento que reuniu realizadores, exibidores e jornalistas em Florianópolis (SC) entre 7 e 9 de março.

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Promovido pela distribuidora Imagem Filmes e o canal a cabo Telecine, parceiros há seis anos, o encontro incluiu debates, entrevistas e a exibição de três dos oito longas nacionais que a empresa lançará em 2013: a comédia “Vai Que Dá Certo”, o drama musical “Somos Tão Jovens” e o romance falado em inglês “Flores Raras”.

Os dois primeiros são as principais apostas da Imagem, que tem estimativas ambiciosas para este ano: vender 9 milhões de ingressos para filmes nacionais, muito mais do que os 600 mil de 2012. “É com o cinema local que nós, como distribuidora brasileira, conseguimos ter acesso a conteúdos importantes. Para os filmes internacionais, a gente é só mais uma distribuidora”, disse o executivo da Imagem, Marco Scherer.

Segundo ele, o fato de a empresa ter conseguido consolidar seu line-up (além dos oitos longas programados para este ano, há outros 12 para 2014) permite que os lançamentos sejam melhor planejados. "A falta de escala tornava isso muito difícil", afirmou o executivo, que valorizou as parcerias estabelecidas com o governo federal por meio dos incentivos da Agência Nacional de Cinema (Ancine) e com empresas como a rede Telecine e a Globo Filmes. “Cinema é caro e precisamos pegar um pouco de cada lado. Não tem jeito”, opinou.

Scherer afirmou que, embora as comédias sejam o maior sucesso de público do País, a empresa quer investir em gêneros que ainda patinam, como ação, aventura e terror. “A longo prazo a comédia vai pesar muito, mas temos a preocupação de criar outros consumidores”, garantiu.

Marcos Scherer, executivo da Imagem Filmes
Geraldo Protta / Imagem Filmes
Marcos Scherer, executivo da Imagem Filmes

“Vai Que Dá Certo”

Entre os principais lançamentos deste ano, "Vai Que Dá Certo", de Maurício Farias, é o que tem mais chances de fazer boa bilheteria.

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Buscando alcançar principalmente o público masculino com idade entre 16 e 30 anos, o filme reúne um time de comediantes de sucesso na televisão e no teatro - Fábio Porchat, Bruno Mazzeo, Lúcio Mauro Filho, Gregório Duvivier e Felipe Abib - e dois atores da Globo - Danton Mello e Natália Lage - para contar a história de um grupo de amigos que resolvem participar de um assalto para faturar uma bolada.

O diretor descreveu a comédia como o produto nacional capaz de competir comercialmente com o cinema americano. "Nossa produção é muito pequena. Se fosse maior, conseguiríamos ocupar muito mais o mercado", opinou.

"Fico torcendo para que esses filmes empurrem todo o cinema, empurrem os filmes mais difíceis de fazer e que têm de ser feitos", afirmou Farias. "Espero que a gente possa fazer cada vez mais longas e de todos os gêneros."

“Somos Tão Jovens”

Entre os filmes dramáticos, a cinebiografia do cantor Renato Russo, “Somos Tão Jovens” também parece ter grande potencial de sucesso, a começar pela campanha de divulgação - a maior da história da Imagem, com ações em televisão, rádio, redes sociais, entre outros.

O diretor Antonio Carlos da Fontoura focou o longa em um período específico: 1976 a 1982, quando o músico começou a carreira em Brasília - antes, portanto, de explodir com a Legião Urbana. No papel de Renato Russo, o ator Thiago Mendonça impressiona ao reproduzir a característica voz do cantor sem ajuda de playback.

Renato Russo e a versão de Thiago Mendonça em
Reprodução
Renato Russo e a versão de Thiago Mendonça em "Somos tão Jovens"

Para conseguir cantar ao vivo, ele ensaiou durante quatro meses, todos os dias, das 9h às 18h. Durante as filmagens, decorou as paredes do hotel com os mesmo pôsteres que Renato tinha em seu quarto."O tempo todo eu o chamei de Renato, nunca de Thiago", contou o diretor.

“Flores Raras”

Com menor apelo comercial, mas maior potencial no mercado estrangeiro, “Flores Raras” levou cerca de 17 anos para chegar as telas. A produtora Lucy Barreto foi quem primeiro se interessou pelo projeto e depois convenceu o filho, Bruno Barreto, a dirigir. 

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Falado em inglês, o longa retrata a relação amorosa real entre a poeta norte-americana Elizabeth Bishop (interpretada pela australiana Miranda Otto) e a brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires), por quem se apaixona e com quem vive durante anos no País. As duas têm personalidades opostas: Bishop é frágil, tímida e pouco confiante, enquanto Lota é dominadora, extrovertida e segura de si – ou ao menos assim parece.

Pires surpreendeu pela desenvoltura em seu primeiro papel em língua inglesa. “Foi muito difícil, mas gostei do resultado. Achei muito honesto”, afirmou. Questionada sobre se os fãs de seu trabalho na televisão estão preparados para vê-la no papel de uma homossexual, ela respondeu que talvez não. “Mas acho muito bom que isso aconteça, tanto para mim como atriz quanto para o público poder se envolver com essa história.”

Entre os três lançamentos, "Vai Que Dá Certo" é o primeiro a chegar as telas, em 22 de março. "Somos Tão Jovens" estreia em 3 de maio e  "Flores Raras" está previsto para 24 de maio

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