"A Busca" tenta conquistar público com Wagner Moura em "filme para adultos"

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

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Drama familiar intimista acompanha as transformações de um homem que procura o filho desaparecido; "É um 'Procurando Nemo'", compara o ator

Quando o cineasta Fernando Meirelles leu o roteiro de "A Busca", que estreia em 15 de março, viu motivo para comemoração: "Finalmente um filme brasileiro que parece argentino". Não é difícil entender a comparação. A história criada pelo diretor Luciano Moura e pela roteirista Elena Soarez é intimista e focada em relações humanas, algo comum na produção do país vizinho, mas que está longe de ser a prioridade do cinema nacional.

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Wagner Moura durante entrevista sobre o filme 'A Busca'

O frescor da iniciativa é a grande aposta de "A Busca" para conquistar o público brasileiro, após integrar a competição do Festival de Sundance e vencer o prêmio popular no Festival do Rio, ambos no ano passado. “Tentamos fazer um filme mais adulto, sem relações estereotipadas, mas que ao mesmo tempo seja um thriller capaz de segurar o espectador”, afirmou Luciano, um estreante em longas, em entrevista coletiva realizada em São Paulo.

Para ele, “A Busca” pode abrir novas possibilidades para longas que se posicionam entre comédias populares como "De Pernas Pro Ar" e o que chamou de filmes "herméticos", produções de qualidade que alcançam públicos menores, no estilo de "O Som ao Redor". A expectativa do protagonista, o ator Wagner Moura (nenhum parentesco entre os dois), é a mesma: que o sucesso de "A Busca" represente o fortalecimento dos filmes "médios" no cenário nacional. "A relação com o mercado e o público pagante é importante para todo mundo que faz cinema e para o País em geral. Queremos que essa indústria amadureça e cresça", afirmou.

Wagner Moura em 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoWagner Moura em 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoBrás Antunes, o filho desaparecido de 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoMariana Lima em 'A Busca'. Foto: DivulgaçãoWagner Moura e Mariana Lima, um casal separado em 'A Busca'. Foto: Divulgação

Rosto conhecido do público pelos trabalhos na televisão e no fenômeno de bilheteria "Tropa de Elite", Wagner Moura interpreta Théo, um homem controlador que está se divorciando da mulher, Branca (Mariana Lima) e encontrando cada vez mais dificuldades para se comunicar com o filho, Pedro (Brás Moreau Antunes). Em seu aniversário de 15 anos, o garoto adota um cavalo e foge de casa, lançando Théo em uma viagem desesperada à sua procura.

Pai de três crianças, Wagner disse ter ficado comovido com o roteiro, que recebeu quando o seu próprio pai lutava contra um câncer de próstata que o levaria à morte em 2011. "Sempre achei muito bonita a ideia de que Théo vai conhecendo o filho pela ausência dele, juntando as pistas que ele deixa e conforme conhece melhor a si mesmo", afirmou, elogiando a "curva dramática" do personagem. "É um 'Procurando Nemo'. Aquele peixe não é mais o mesmo quando chega ao final da jornada", comparou.

Festival do Rio: Nem Wagner Moura é motivo para ver "A Busca"

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A atriz Mariana Lima

Ensaios

O processo de ensaio incluiu muitas discussões entre os atores, o diretor e a roteirista sobre episódios de suas próprias vidas e o que consideravam ser os desafios da vida adulta, do casamento e da criação dos filhos. “É um assunto no qual o cinema nacional investe pouco, mas que é rico por excelência, porque todos temos família”, disse Mariana Lima.

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Os ensaios também foram importantes para familiarizar Brás Moreau Antunes, filho dos músicos Arnaldo Antunes e Zaba Moreau, com o set de filmagens. Em busca de um rosto novo, a equipe levou seis meses para encontrar o jovem, hoje com 15 anos, que nunca tinha estudado atuação ou feito cinema. "Só pecinha de escola", contou.

Os atores debruçaram-se principalmente sobre a cena inicial, uma briga que estabelece toda a situação de crise familiar que dá o tom do filme. Mas para Wagner outra sequência foi tão desafiadora quanto: a que contracena com Lima Duarte, seu pai na ficção. "Eu estava muito honrado, queria muito que ele gostasse de mim e me achasse bom ator", revelou. O esforço deu resultado – a cena é, sem dúvida, o melhor e mais comovente momento de Théo na tela.

Parcerias

Foram seis semanas de filmagem com um orçamento de R$ 6,1 milhões, captados com ajuda do edital de Paulínia e investimentos privados. "A Busca" é fortemente calcado em parcerias, contando com três distribuidoras e três produtoras – além da O2 de Fernando Meirelles, a rede Telecine e a Globo Filmes, que ajudará a garantir inserções na televisão (na semana passada, por exemplo, o longa foi exibido para os participantes do "Big Brother Brasil"). O esforço de divulgação também inclui imprensa e, sobretudo, mídias sociais. "É um trabalho árduo para atingir todas as camadas", disse a produtora Bel Berlinck.

O diretor, que confere diariamente a quantidade de visualizações do trailer no YouTube, diz que seu desafio é "colocar as pessoas no cinema no maldito fim de semana de estreia". "Sem fazer qualquer juízo, as comédias (como "De Pernas Pro Ar") têm fórmula mais confortável para o público. Quando você vem com uma proposta nova, é mais difícil", opinou.

Luciano Moura disse ter se empenhado para não criar nenhum tipo de rejeição prévia, tentando repetir o modelo de "O Palhaço", de Selton Mello. "O público pensava que seria uma história megaengraçada, mas era mais difícil, introspectiva", afirmou. "Fez sucesso porque as pessoas foram ao cinema. A partir daí, o filme aconteceu."

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