Indicada ao Oscar, atriz mirim é a alma do original filme "Indomável Sonhadora"

Por Luísa Pécora - iG São Paulo |

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Com baixo orçamento, diretor estreante e elenco amador, longa estrelado pela talentosa Quvenzhané Wallis consegue traçar incomum trajetória de sucesso

Orçamento nanico, diretor estreante, elenco formado basicamente por atores amadores e uma protagonista que tinha apenas seis anos durante as filmagens. “Indomável Sonhadora”, que estreia nesta sexta-feira (22), é o último dos nove indicados a melhor filme no Oscar 2013 a chegar ao Brasil e, talvez, o que vai mais contra o gosto usual da Academia.

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A atriz mirim Quvenzhané Wallis no filme 'Indomável Sonhadora'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme "Indomável Sonhadora". Foto: DivulgaçãoImagem do filme "Indomável Sonhadora". Foto: DivulgaçãoImagem do filme "Indomável Sonhadora". Foto: DivulgaçãoImagem do filme "Indomável Sonhadora". Foto: DivulgaçãoA atriz mirim Quvenzhané Wallis no filme 'Indomável Sonhadora'. Foto: DivulgaçãoA atriz mirim Quvenzhané Wallis no filme 'Indomável Sonhadora'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme "Indomável Sonhadora". Foto: DivulgaçãoImagem do filme "Indomável Sonhadora". Foto: DivulgaçãoA menina Quvenzhané Wallis em 'Indomável Sonhadora' ('Beasts of the Southern Wild'). Foto: DivulgaçãoA atriz mirim Quvenzhané Wallis no filme 'Indomável Sonhadora'. Foto: DivulgaçãoA atriz mirim Quvenzhané Wallis no filme 'Indomável Sonhadora'. Foto: Divulgação

A surpreendentemente bem-sucedida trajetória do longa começou em janeiro do ano passado, quando conquistou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance. Quatro meses depois, levou o troféu dedicado a diretores estreantes em Cannes, consolidando um sucesso de crítica que se transformou, também, em público acima do esperado. Nos Estados Unidos, o filme arrecadou US$ 12,6 milhões (R$ 24,7 milhões), muito mais do que o orçamento de US$ 1,8 milhão (R$ 3,5 milhões).

Só por essa cifra, “Indomável Sonhadora” já mereceria o título de “indie” do Oscar – o segundo orçamento mais baixo entre os indicados é o do austríaco “Amor”, que custou US$ 11,8 milhões (R$ 23,1 milhões), enquanto o mais alto é o de “As Aventuras de Pi” (US$ 120 milhões, ou R$ 235 milhões). Mas outros elementos diferenciam este filme dos que costumam ser lembrados pela Academia, entre eles o fato de o cineasta Benh Zeitlin, 30 anos e também indicado a diretor, ter escolhido filmar em uma parte remota do sul do Estado da Louisiana, e não em grandes cidades norte-americanas como Los Angeles e Nova York, onde nasceu.

É na Louisiana que está localizada Nova Orleans, duramente castigada pelo furacão Katrina em 2005. Nem a cidade nem a tragédia são mencionadas em “Indomável Sonhadora”, apesar de parecerem presentes em grande parte das cenas. Poupando o espectador de mensagens "eco-chatas", Zeitlin leva ao cinema a história de uma comunidade alternativa que vive à beira de um rio, separada da civilização moderna por uma barragem.

Veja também: Os mais jovens ganhadores e indicados na história do Oscar

AP
Quvenzhané Wallis posa para fotos no prêmio do Sindicato dos Diretores em Los Angeles

No local, apelidado de “Banheira”, a criativa Hushpuppy (Quvenzhané Wallis), de seis anos, vive com o pai, Wink (Dwight Henry). Abandonada pela mãe, ela passa seus dias rodeada por plantas e animais em uma cabana tomada por enorme quantidade de objetos descartados e lixo, numa espécie de ferro-velho. A condição é de pobreza e dificuldade, mas, assim como o restante da comunidade, pai e filha não pensam em sair dali.

Tal convicção é abalada pela passagem de uma forte tempestade que cria um verdadeiro cenário de apocalipse. Muitos deixam a Banheira e os que decidem ficar, como Wink e Hushpuppy, têm de buscar abrigo e procurar comida, enquanto a água se recusa a descer e os animais também começam a ser vítimas da tragédia.

O escape da menina é a própria imaginação, seja nas conversas imaginárias com a mãe, nas histórias desenhadas em caixas e no chão, ou na criação de episódios fantásticos como o estouro de uma manada de auroques (espécie de boi selvagem já extinto), sempre em paralelo à tempestade. Esse tipo de sonho permite que Zeitlin crie cenas visualmente belas, ainda que insuficientes para compensar a falta de um enredo envolvente. O excesso de narração feita por Hushpuppy agrava a falta de ritmo, tirando um pouco da força de "Indomável Sonhadora".

Saiba Mais: Acompanhe a cobertura completa do Oscar 2013

O diretor se sai melhor quando centra o enredo na forte relação entre pai e filha, marcada por um afeto profundo, mas escondido pela dureza e violência com que Wink trata Hushpuppy. Alcoólatra e acometido por uma grave doença, ele tenta ensiná-la, do jeito que sabe, a sobreviver sozinha em um mundo inóspito. Dono de uma padaria de Nova Orleans na vida real, Henry tem ar de quem carrega o peso do mundo nas costas e foi uma excelente escolha para o papel de Wink.

Wallis também nunca tinha atuado e conseguiu a vaga após ser escolhida entre mais de 3,5 mil crianças da Louisiana. Hoje aos nove anos, a mais jovem indicada ao Oscar de melhor atriz da história tem talento de verdade e recursos dramáticos que vão além do carisma típico da idade. É, sem dúvida, a alma de um filme bonito e original, ainda que imperfeito.

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