Quentin Tarantino "ressuscita" carreira de atores em seus filmes

Por iG São Paulo |

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Diretor de “Django Livre” é famoso por dar novo fôlego a estrelas esquecidas

O cineasta Quentin Tarantino escalou as estrelas Jamie Foxx e Leonardo DiCaprio para seu novo filme, "Django Livre", que estreia nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (18), mas não fugiu à sua característica de dar um papel, ainda que pequeno, a um ator esquecido. Desta vez, fãs da série "Miami Vice", um hit nos anos 1980, irão reconhecer o ex-galã Don Johnson no papel do fazendeiro Spencer "Big Daddy" Bennett.

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Johnson pode se unir a um time de atores cujas carreiras ganharam novo fôlego graças ao diretor. Em alguns casos, eles souberam aproveitar a chance para conquistar outros papéis de destaque, trabalhar com cineastas de prestígio e aumentar o cachê. Em outros, o sucesso durou pouco.

Veja os principais atores "ressuscitados" por Tarantino.

Reprodução
John Travolta em cena de "Pulp Fiction - Tempo de Violência"

John Travolta

O papel de Vincente Vega em “Pulp Fiction – Tempos de Violência” (1994) foi um divisor de águas na carreira de Travolta e lhe rendeu a segunda indicação ao Oscar. A primeira fora recebida por “Os Embalos de Sábado à Noite” (1977), o musical que o alçou à fama, seguido pelo também sucesso “Grease – Nos Tempos da Brilhantina” (1978).

Nos anos 1980, Travolta amargou papéis ruins em comédias e filmes para a TV, sendo indicado a pior ator da década no Framboesa de Ouro, uma espécie de Oscar dos piores filmes.

Quando parecia que ele ficaria para sempre em longas como os da série "Olha Quem Está Falando" (1989), Tarantino lhe deu a chance que precisava para virar a carreira e voltar a ser um ator sério, escalado para filmes de bons diretores como John Woo (“A Outra Face”), Costa-Gravas ("O Quarto Poder"), Mike Nichols ("Segredos do Poder") e Terrence Malick (“Além da Linha Vermelha”).

Nos anos 2000, fracassos como “A Reconquista”, ‘Bilhete Premiado” e “A Senha: Swordfish” lhe renderam uma nova indicação a pior ator da década, e o sucesso só voltaria em 2007, com a versão cinematográfica do musical “Hairspray”. Apesar dos altos e baixos, não há dúvida de que, sem Tarantino, dificilmente Travolta ainda seria uma estrela.

Divulgação
Uma Thurmanem cena do filme "Kill Bill"

Uma Thurman

Grande musa de Tarantino, ganhou o respeito de Hollywood como a femme fatale Mia Wallace de “Pulp Fiction – Tempos de Violência”, que lhe rendeu a única indicação ao Oscar da carreira.

Na sequência, porém, atuou em fracassos como “Batman e Robin” (1998) e “Os Vingadores" (1998), sendo relegada a filmes menores e feitos para a televisão.

Seu retorno ao estrelato foi novamente pelas mãos de Tarantino, que a escalou como a noiva vingativa de "Kill Bill" (2003) e "Kill Bill 2" (2004), celebrado por público e crítica.

Em 2005, embalada pelo sucesso dos dois filmes, Thurman ganhava mais de US$ 12 milhões por trabalho e estrelava campanha de marcas famosas como Lancôme e Louis Vitton.

De lá para cá, porém, concentrou-se em comédias românticas de pouco destaque, como “Terapia do Amor” (2005) e “Minha Super Ex-Namorada” (2006).

Reprodução
David Carradine em cena de "Kill Bill"

David Carradine

Estrela da série "Kung-Fu" entre 1972 e 1975, quando decidiu se dedicar à carreira no cinema, Carradine atuou no clássico cult "Corrida da Morte - Ano 2000" (1975), foi premiado pela interpretação do cantor Woody Guthrie em "Essa Terra é Minha" (1976) e protagonizou "O Ovo da Serpente" (1977), único filme em inglês do diretor sueco Ingmar Bergman.

Durante as décadas de 1980 e 1990, a carreira de Carradine entrou em declínio e, embora continuasse trabalhando, poucos papeis ganharam atenção e muitos de seus filmes foram lançados direto em vídeo.

O papel em “Kill Bill” voltou a colocá-lo em evidência e reforçou o status de "lenda cult" do ator, indicado ao Globo de Ouro pelo papel. Depois de trabalhar com Tarantino, Carradine não fez mais nenhum grande sucesso até sua morte, em 2009, aos 72 anos.

Reprodução
Pam Grier em cena de "Jackie Brown"

Pam Grier

Estrela nos anos 1970 nos Estados Unidos, após filmes como “The Big Bird Cage”, “Coffy” e “Foxy Brown”, Grier também teve papel de destaque na série “Miami Vice”, nos anos 1980.

Depois, teve apenas papeis menores em filmes de ação até ser escalada por Tarantino, seu fã, como a personagem-título de “Jackie Brown” (1997).

O filme lhe rendeu o Globo de Ouro e uma indicação ao Screen Actors Guild, mas Grier não conseguiu ir muito longe com seus trabalhos seguintes. A carreira voltou ao que era antes da parceria com Tarantino, com destaque para papeis coadjuvantes em “Marte Ataca!” (1996) e “Fantasmas de Marte” (2001).

Em 2011, em uma entrevista ao site Movieline, Grier disse que "Jackie Brown" foi uma das melhores experiências de sua vida. “Eu sempre dizia que, mesmo se nunca trabalhasse de novo, tinha estado no topo da montanha”, resumiu.

Outros atores 

Outras estrelas são gratas a Tarantino pela escalação em papéis de destaque durante fases ruins da carreira. É o caso de Harvey Keittel, que após participar de sucessos como "Caminhos Perigosos" (1973) e "Taxi Driver" (1976), ambos de Martin Scorsese, passou a década de 1980 no esquecimento. Mas foi chamado por Tarantino para interpretar Mr. White em "Cães de Aluguel" (1992). Junto com "Vício Frenético" (1992) e "O Piano" (1993), o filme foi fundamental para levá-lo de volta ao estrelato.

Kurt Russell teve a chance de voltar a ser protagonista como o dublê Mike em "À Prova de Morte", filme lançado por Tarantino em 2007. E Robert Foster, cultuado e esquecido ator de filmes B nos anos 1970, conseguiu uma série de papéis após ser indicado ao Oscar de ator coadjuvante por "Jackie Brown".

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