Segundo dados do site Filme B, filme pernambucano exibido em apenas 13 salas foi visto por 10,9 mil pessoas em seu primeiro fim de semana em cartaz

Sem atores famosos e exibido em poucas salas do País, o filme pernambucano "O Som ao Redor" conseguiu maior média de público em seu fim de semana de estreia do que "De Pernas Pro Ar 2" , sequência da comédia estrelada por Ingrid Guimarães.

Entrevista: 'Cinema está achatado por megalançamentos', diz Kleber Mendonça Filho

De acordo com o site especializado Filme B, entre 4 e 6 de janeiro "O Som ao Redor" foi visto por 10.920 pessoas em 13 salas, resultando numa média de público de 840 - sendo que em três dessas salas o longa divide sessões com outros filmes. 

"De Pernas Para o Ar" estreou no fim de semana anterior (28 a 30 de janeiro), em meio às festas, quando foi visto por 561 mil pessoas em 718 salas, resultando numa média de público de 781.

Ingrid Guimarães e Maria Paula nas filmagens de
Divulgação
Ingrid Guimarães e Maria Paula nas filmagens de "De Pernas pro Ar 2" em Nova York

Em número de espectadores, foi a terceira melhor abertura de um filme nacional desde a retomada, atrás apenas de "Tropa de Elite 2" (2010) e "Chico Xavier" (2010).

No fim de semana seguinte, de 4 a 6 de janeiro, o filme de Ingrid Guimarães foi visto por 610.441 espectadores nas mesmas 718 salas, numa média de público melhor, de 850, mas ainda pouco superior à de "O Som ao Redor", um filme muito menos comercial.

Os números de cada produção são bem distintos: o drama de Kleber Mendonça Filho tem orçamento de quase R$ 2 milhões, seis cópias sendo exibidas e, até agora, renda de R$ 143,7 mil; "De Pernas Pro Ar 2" custou R$ 6 milhões, tem 528 cópias em exibição e bilheteria acumulada em R$ 18,3 milhões.

Em entrevista ao iG , Mendonça Filho disse que o cinema brasileiro está "achatado" por megalançamentos e defendeu a adoção de medidas que limitem o número de salas para blockbusters.

"O mercado hoje tem mecanismos de convencimento, tudo é massificado. Faz semanas que só vejo 'O Hobbit' na minha frente: cartaz, jornal, Facebook, email, outdoor, televisão. É impressionante o que o dinheiro faz", afirmou. "No fim, as pessoas naturalmente assistem a esses filmes. Elas veem “O Hobbit” sem saber direito o motivo. Mas veem. E aí você tem filmes bem menores e fica pensando que seria bom se eles saíssem um pouco do cercadinho da cultura e fossem descobertos por outras pessoas, por pessoas que talvez não o vissem, mas viram e gostaram."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.