Reclusos e ousados, irmãos Wachowski ainda precisam ir além de "Matrix"

Por Luísa Pécora - iG São Paulo | - Atualizada às

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Com novo "A Viagem", cineastas quebram silêncio à imprensa, mas não atingem mesmo sucesso comercial e de crítica do filme que os transformou em promessa

O lançamento de "A Viagem", que chega aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (11), marca uma mudança importante na carreira dos irmãos Wachowski. Reclusos e avessos às entrevistas desde que a série "Matrix" os alçou ao status de promessa cinematográfica, os cineastas resolveram dar uma chance à imprensa - talvez na tentativa de lançar alguma luz sobre o complexo longa, que reúne seis histórias ambientadas em diferentes épocas. Mas "A Viagem" não reverteu a sensação de que os Wachowski ainda não conseguiram conquistar público e crítica a ponto de saírem da sombra de seu filme mais famoso.

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O sucesso do primeiro "Matrix" - segundo longa da dupla, lançado em 1999 - foi seguido por decepções em maior ou menor grau. As duas sequências da série protagonizada por Keanu Reeves foram menos inspiradas, "Speed Racer" (2008) recebeu críticas ferozes e ficou abaixo das expectativas de bilheteria, e "A Viagem" (dirigido em parceria com Tom Tykwer) dividiu o público entre os que admiraram a ousadia da proposta e os que julgaram a produção confusa e pretensiosa demais. O projeto mais bem realizado foi "V de Vingança" (2005), escrito e produzido pelos Wachowski,  mas dirigido por James McTeigue.

Divulgação
Tom Tykwer, Lana Wachowski e Andy Wachowski, os diretores de "A Viagem"

Nos 13 anos que separam "Matrix" e "A Viagem", a dupla de diretores de Chicago passou por uma transformação importante. Larry Wachowski, nascido em 1965 e dois anos mais velho do que o irmão Andy, mudou de sexo e passou a ser conhecido como Lana Wachowski, hoje dona de característicos dreadlocks cor de rosa. Em outubro de 2012, ao receber um prêmio, ela negou que a transição tenha sido o motivo da ausência dos diretores na imprensa.

“Depois do lançamento de 'Matrix', em 1999, experimentamos uma contração alarmante de nosso mundo e de nossas vidas. Ficamos muito cientes da preciosidade de ser anônimos, passamos a entender isso como uma espécie de virgindade, algo que você só perde uma vez”, explicou, em seu discurso. “Ser anônimo permite que você tenha acesso ao espaço civil, à participação da vida pública, a uma igualdade de visibilidade que nenhum de nós gostaria de ceder.”

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Cena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoTom Hanks e Halle Berry em "A Viagem", dirigido pelos irmãos Wachowski. Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: DivulgaçãoCena de "A Viagem". Foto: Divulgação

Os tempos mudaram e, durante as entrevistas pelo lançamento de "A Viagem", a dupla chegou a discutir, ainda que indiretamente, o motivo de as sequências de "Matrix" serem menos populares do que o primeiro filme.

"Nosso objetivo (com a trilogia) era alcançar uma mudança, a mesma mudança que acontece para Neo (Keanu Reeves), que sai de um mundo programado para participar da construção de sentido para sua vida", explicou Lana ao site Movie City News. "Pensamos: 'Será que o público poderá passar por esses três filmes e experimentar algo parecido?' Então o primeiro tem um estilo clássico, o segundo faz uma desconstrução e o terceiro ataca tudo o que você achava que era verdade. O terceiro é o mais ambíguo, porque pede que você também participe da construção de significado."

Este parece ser o desafio dos Wachowski: traduzir sua proposta cinematográfica ousada e filosófica em filmes que também funcionem como entretenimento de qualidade.

O próximo projeto, "Jupiter Ascending", ainda em fase de pré-produção, segue a mesma linha ambiciosa. A sinopse no Internet Movie Database afirma se tratar de uma história ambientada "em um universo no qual os humanos estão no último degrau da escala evolutiva", e cuja rainha quer matar uma mulher que ameaça seu reinado. Vamos aguardar.

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