Drama francês "A Filha do Pai" discute sobre valores que superam o dinheiro

Ator Daniel Auteuil recria o humanismo de Pagnol em sua estreia atrás das câmeras

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Um dos monstros sagrados do cinema francês, com mais de 90 filmes no currículo, o ator Daniel Auteuil estreia na direção com o drama romântico "A Filha do Pai", adaptação do romance de Marcel Pagnol (1895-1974).

Auteuil está à vontade no universo humanista de Pagnol, já tendo interpretado o personagem Ugolin em dois filmes adaptados de sua obra, "Jean de Florette" e "A Vingança de Manon", sob a direção de Claude Berri - um papel que lhe rendeu um prêmio Bafta como melhor ator coadjuvante.

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O ator também tem o cuidado de guardar para si um papel à sua medida em "A Filha do Pai", o poceiro Pascal Amoretti. Homem rude e honrado, Pascal vive do duro trabalho de abrir poços numa região campestre do sul da França.

Seu melhor amigo é o colega Felipe (Kad Merad). Viúvo e pai de cinco filhas, Pascal recebe cuidados especiais da mais velha, Patricia (Astrid Bergès-Frisbey), que leva seu almoço no trabalho todos os dias, além de cuidar das irmãs menores.

Assista a uma cena:

Essa vida perfeitamente pacata sofre um abalo quando Patricia se envolve com Jacques Mazel (Nicolas Duvauchelle), filho do maior comerciante da cidade (Jean-Pierre Darroussin). Depois de uma paixão instantânea, a moça engravida, ao mesmo tempo em que Jacques, que é piloto, parte para a guerra, sem ter conhecimento da grande notícia.

No contexto de uma época mais conservadora, a gravidez é um problema incontornável para a família Amoretti, levando Patricia a refugiar-se na casa de uma tia (Marie-Anne Chazel).

Envolvido por um clima francamente nostálgico, o filme conta uma história em que se discutem valores de honra e dignidade que superam o dinheiro, encarnados especialmente pelo clã Amoretti e pelo agregado Felipe - que mais de uma vez tenta casar-se com Patricia, sendo repelido pela moça.

Se como ator Auteuil é espetacular, como diretor ainda mostra algumas hesitações. O filme ressente-se às vezes de um excesso de explicações e de uma certa falta de ritmo, ainda que nunca falte graça e delicadeza às interpretações. O elenco reúne alguns dos melhores atores da França, incluindo Sabine Azéma, no papel da intrigante mãe de Jacques Mazel.

Quanto a Auteuil, parece ter gostado da experiência de dirigir. Já está envolvido numa outra produção, novamente de volta à obra de Pagnol, agora adaptando "La Trilogie Marsellaise", na qual, mais uma vez, vai acumular as funções de ator e diretor.

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