Excessivo para os leigos, "O Hobbit" é prato cheio para fãs

Volta de Peter Jackson à Terra-Média traz todos os ingredientes esperados pelos leitores de Tolkien em mais tempo que o necessário

Guss de Lucca - iG São Paulo |

Peter Jackson definiu a produção da trilogia "O Senhor dos Anéis" como uma experiência de vida única. Quase dez anos depois, o cineasta revive essa experiência com "O Hobbit", que não por acaso repete muitas das fórmulas, personagens e situações da trilogia anterior.

A história, baseada no livro infantil "O Hobbit", publicado em 1937 por J.R.R. Tolkien, conta como o pequeno Bilbo Bolseiro se envolveu na aventura de 13 anões que querem recuperar sua terra natal, uma montanha ocupada há 60 anos pelo dragão Smaug.

No processo, além de estreitar sua relação com o mago Gandalf, novamente interpretado com perfeição por Ian McKellen , o hobbit encontra o Um Anel, artefato que dá origem ao conflito central de "O Senhor dos Anéis".

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O cineasta Peter Jackson e o ator Martin Freeman no set de "O Hobbit" Uma Jornada Inesperada"

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É possível traçar muitos paralelos entre o primeiro filme da nova trilogia, "Uma Jornada Inesperada", com "A Sociedade do Anel", longa que deu origem em 2001 à versão cinematográfica da saga escrita por Tolkien.

Nele, um grupo de aventureiros se une a um hobbit, raça fictícia que é pacata por natureza, e atravessa a Terra-Média em busca de uma missão considerada impossível. No caminho, a trupe enfrenta perigos diversos, como trolls, orcs e goblins.

A principal diferença entre os filmes é que "O Hobbit" possui um grupo disfuncional movido apenas por um objetivo pessoal (reaver o que um dia foi dele), e não sacrificar-se em nome da "humanidade".

Apesar de seguir o código maniqueísta imposto por Tolkien a seus personagens, os anões estão distantes da perfeição e da pureza dos demais "povos bons" da Terra-Média, o que os torna mais interessantes que os elfos, por exemplo. Da mesma forma, o mago Gandalf apresentado aqui, que responde pela alcunha de o Cinza ou o Cinzento, distancia-se daquele que encerra a trilogia "O Senhor dos Anéis", agindo em alguns momentos como um malandro bon vivant.

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"O Hobbit: Uma Jornada Inesperada" é prato cheio para os fãs da saga, que devem ficar satisfeitos em ver Martin Freeman incorporar os trejeitos do Bilbo Bolseiro de Ian Holm, e se surpreender com a riqueza de expressões e texturas que uma década de tecnologia conferiram ao personagem Gollum.

Os interessados em novas tecnologias também encontrarão um bom motivo para assistir ao longa. Peter Jackson fez questão de filmar "Uma Jornada Inesperada" em 48 quadros por segundo, um formato que promete revolucionar os cinemas com excesso de detalhes e uma conversão melhor com os efeitos em 3D - entenda o formato e veja em quais salas o longa será exibido no Brasil .

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Porém, com quase três horas de duração, "O Hobbit" pode se tornar cansativo para quem não nutre grande paixão por elfos, hobbits e afins.

Motivada pela sede dos fãs por materiais vinculados à Terra-Média, a Warner Bros não pensou duas vezes quando Peter Jackson quis transformar o que seriam dois filmes em uma trilogia. Após o sucesso comercial da saga "O Senhor dos Anéis", que levou US$ 2,9 bilhões (R$ 6 bilhões) aos cofres do estúdio, qualquer coisa ligada à obra de J.R.R. Tolkien é sinônimo de ótimo negócio.

E isso, somado à certeza de que quaisquer novas adaptações serão lançadas com aprovação prévia do público, antes mesmo de sua exibição, fez com que o cineasta voltasse à sala de edição com a missão de transformar um livro que tem em média 330 páginas em três filmes.

Apesar de toda a beleza visual, das cenas de ação, do drama dos personagens e da técnica empregada por Peter Jackson, faltou ao diretor adaptar a despretensão do livro, o que faz de "O Hobbit: Uma Jornada Inesperada" mais do mesmo.

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A segunda parte da trilogia, chamada de "O Hobbit: A Desolação de Smaug", estreará em 13 de dezembro de 2013. Já o terceiro filme, "O Hobbit: Lá e de Volta Outra Vez", chegará aos cinemas em 18 de julho de 2014.

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