Documentário mapeia altos e baixos na relação de Bergman com Ullman

Relação de diretor e atriz começou como paixão, passou por casamento turbulento e terminou como uma serena amizade

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A atriz norueguesa Liv Ullman e o diretor sueco Ingmar Bergman se conheceram em 1965, quando ela tinha 26 anos, ele 47. Ela era uma atriz novata, ele um diretor premiado e consagrado. Filmaram "Persona", o primeiro dos 12 filmes que fariam juntos, mantendo por 42 anos um relacionamento que começou com a paixão, passou por um turbulento casamento de cinco anos e pouco a pouco transformou-se numa serena amizade, até a morte do diretor, em 2007, aos 89 anos.

Fragmentos dessa longa convivência estão no documentário "Liv & Ingmar - Uma História de Amor". O diretor indiano Dheeraj Akolkar, que insistia na sua realização desde a morte de Bergman, faz um bom uso de trechos de suas obras e de cenas de bastidores a que teve acesso, completando com esse material de arquivo as imagens de uma longa entrevista com a atriz, hoje com 74 anos.

Divulgação
Liv Ullmann e Ingmar Bergman

Como Liv concedeu apenas dois dias para a gravação do depoimento, pode-se sentir falta de um aprofundamento de alguns aspectos dessas memórias - que, infelizmente, não podem contar com a contrapartida de um relato do próprio Bergman (se é que o reservado diretor algum dia o teria feito).

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Apesar das limitações, salta aos olhos a entrega emocional de uma Liv madura ao rever momentos inclusive tumultuados de sua longa relação com o cineasta, ao lado de quem realizou, entre outros, "Gritos e Sussurros", "Sonata de Outono", "A Paixão de Ana", "A Hora do Lobo", "Cenas de um Casamento" e "Sarabanda".

Voltando à ilha de Faro, morada de Bergman, ela visivelmente se emociona no cenário de tantos momentos da vida dos dois. São particularmente tocantes sua leitura de trechos das cartas de Bergman para ela - que revelam um homem emocional e por vezes contraditório, mas sempre assustadoramente sincero - e a cena em que ela compartilha o sentido de alguns desenhos feitos pelo diretor na parede, certamente um segredo que poucos conheciam.

Ela mesma entrega uma certa ambiguidade em relação a Bergman quando confessa que a incomoda que sempre lhe perguntem, quando fala de sua carreira, como foi trabalhar com ele. Ao mesmo tempo, não nega que foi dele que recebeu o maior elogio profissional da vida inteira: "Você é o meu Stradivarius".

O tempo, matéria-prima deste documentário, derrama suas camadas sobre o relato, em que a maturidade e o olhar em perspectiva permitem a Liv inclusive rir de momentos tensos, como quando Bergman, vingando-se de uma briga com ela, a expôs mais do que o devido ao frio, numa cena gravada num barco ao lado de um atônito Max Von Sydow. Mais de uma vez, as questões pessoais interferiram nas profissionais até que uma parceria tranquila finalmente se instalou. A vida imitou a arte, que nunca faltou à vida destes dois.

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