Médiuns contam conflito entre Paraná e Santa Catarina em "O Contestado"

Documentário de Sylvio Back recupera guerra por terras que se estendeu de 1912 a 1916 através de entrevistas com historiadores e espíritos incorporados

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O diretor Sylvio Back e uma médium no documentário 'O Contestado – Restos Mortais'

O documentário "O Contestado - Restos Mortais", do catarinense Sylvio Back, dialoga com uma vertente bastante comum no cinema brasileiro contemporâneo: o filme espírita.

O longa faz um trabalho interessante de pesquisa sobre a guerra acontecida na divisa entre Santa Catarina e Paraná, entre 1912 e 1916, mas toma caminhos questionáveis ao colocar diante da câmera médiuns que supostamente incorporam espíritos de pessoas envolvidas no conflito.

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A melhor parte do filme vem de historiadores – como Nilson Fraga, Ivone Gallo e Marli Auras –, do brasilianista Todd A. Diacon e do músico e folclorista Vicente Telles. As entrevistas são bem conduzidas e se complementam na montagem, que segue um arco lógico e narrativo, dando clareza ao desenvolvimento do conflito, com detalhes relevantes.

Porém, ao colocar em cena os médiuns, o diretor parece confiar que todos os seus espectadores realmente acreditem nisso. Para quem não crê nesse tipo de manifestação, o filme para de funcionar na hora em que entram em cena.

"Incorporados", vítimas e rebeldes contam suas histórias, gritam por socorro da mãe, explicam porque lutaram, em sequências que lembram encenações teatrais.

A melhor parte do filme acontece mesmo quando os especialistas traçam um perfil desta guerra, que deixou entre 5 mil e 8 mil rebeldes mortos, explicando suas causas, desenvolvimento e consequências. Como é o caso da historiadora Marcia Motta, alegando que "foi um jogo de posse-propriedade, legal-ilegal, que fez da experiência do Contestado um exemplo emblemático de luta pela terra no Brasil".

Diretor experiente, Back ("Jânio 20 Anos Depois", "Aleluia Gretchen", "Lost Zweig") aprofunda-se no tema e traz fatos desse conflito pouco abordado da história do Brasil. E o documentário se sustenta tão bem em seus depoimentos e montagem que é de se questionar se as manifestações mediúnicas realmente são necessárias para seu desenvolvimento.

A primeira exibição do filme ocorreu no festival de documentários É Tudo Verdade, em 2010, quando foi mostrado uma versão mais longa – de 155 minutos. Esta lançada comercialmente tem cerca de 30 minutos a menos.

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