Disney faz graça com mundo dos games na animação "Detona Ralph"

Vilão de arcade dos anos 1980 busca redenção na história original do estúdio; diretor Rich Moore reuniu timaço de dubladores, liderado por John C. Reilly

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Os estúdios da Disney abandonam neste inverno as princesas e contos de fadas para mergulhar no mundo dos videogames com "Detona Ralph", um filme que une a nostalgia dos jogos arcade dos anos 1980 com o entusiasmo pelos jogos hiper-realistas modernos.

A Disney confiou a produção do filme, que estreia neste final de semana nos Estados Unidos e em 4 de janeiro no Brasil, a Rich Moore, um veterano da animação que assinou vários episódios das séries animadas "Os Simpsons" e "Futurama".

Esta não é a primeira vez que os estúdios do criador de Mickey Mouse se interessam pelo universo dos jogos eletrônicos. A Disney foi pioneira na área nos anos 1980, com o filme de ação "Tron", que ganhou uma sequência em 2010 .

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Mas tentar sintetizar este mundo com o cinema de animação é uma novidade para a Disney, que trabalha na ideia há mais de dez anos.

Em vez de adaptar jogos já existentes, como haviam tentado sem sucesso outros estúdios ( conheça as piores adaptações para o cinema ), a Disney decidiu criar algo novo. "Queríamos representar diferentes tipos de jogos de videogame. Aqueles que amamos e aqueles que acreditamos que as pessoas podem se identificar", explicou à AFP Rich Moore.

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John C. Reilly, Sarah Silverman, Jane Lynch e Jack McBrayer, o time de dubladores de 'Detona Ralph'

A história, em que se pode sentir a influência da Pixar (também propriedade da Disney), segue as aventuras de Ralph, o "vilão" de um jogo de gráficos pixelizados típico dos anos 1980, como "Pac-Man" e "Space Invaders". "Um mundo muito simples, antigo", diz Moore.

Cansado de ser o vilão da história, condenado dia após dia a destruir um edifício que o "agradável" Felix conserta imediatamente com o seu martelo mágico, Ralph foge para outros videogames para tentar conquistar uma medalha de campeão, indispensável para recuperar um pouco da autoestima.

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"O que eu achei interessante sobre ele é que é um personagem cheio de imperfeições", disse à AFP John C. Reilly, a voz de Ralph na versão original. "Ele acha que sabe tudo, quando na verdade não sabe nada. É muito seguro de si mesmo, semeia a bagunça, comete erros, é ganancioso e egoísta", explica o ator de 47 anos, visto recentemente em "Deus da Carnificina" .

"No começo, ele sente pena de si mesmo, culpa o mundo inteiro por seu infortúnio. E então Ralph percebe que as soluções não vêm de fora, temos de buscá-las dentro de nós", acrescenta Reilly.

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O diretor de 'Detona Ralph', Rich Moore

Durante suas aventuras, Ralph vai descobrir mundos muito diferentes do seu, começando com o hiper-realista de "Duty of Heroes", um jogo de luta na linha de "Call of Duty". "Havia um contraste interessante entre o seu mundo e o de 'Heroes Duty', muito agressivo e realista, com gráficos angulares e de formas afiadas", diz Moore.

Para completar o quadro, o diretor inventou um jogo de perseguição, batizado de "Sugar Rush", onde Ralph vai encontrar uma amiga na pessoa de Vanellope von Schweetz, uma garota travessa e solitária.

"Sugar Rush" é um mundo de gráficos coloridos inspirado nos desenhos japoneses, um lugar que parece ser um mundo para as crianças, inocente e bonito" mas cujas paisagens doces e coloridas "escondem uma realidade mais escura", ressalta Moore, ele mesmo um grande fã de videogame, assim como John C. Reilly.

"Eu sou da primeira geração de jogos. Passar do pinball ao 'Space Invaders' foi um salto enorme", lembra o ator. "Eu era viciado. Mas hoje, não jogo mais. O mundo tornou-se um videogame."

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