Hollywood perde força diante de sucesso da televisão

Queda de público e salários baixos prejudicam a indústria cinematográfica nos EUA

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No ano que vem, a cerimônia de premiação da Academia - a 85ª desde 1929 - acontecerá diante da angústia de que os filmes hoje em dia parecem estar cada vez mais distantes de causarem um impacto definitivo na cultura popular.

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"The Master" foi visto por cerca de 1,9 milhões de pessoas - metade do público de um episódio de "Mad Men"

Após a queda nas bilheterias de cinema em 2011, que registraram apenas US$ 1,28 bilhões (R$ 2,59 bilhões), o menor valor desde 1995 (e este ano esse número melhorou apenas um pouco), pessoas que trabalham no mundo do cinema estão discretamente se esforçando para consertar algo que poucos diriam publicamente precisar ser consertado.

Ou seja, a capacidade que Hollywood possui de conquistar a imaginação popular, particularmente quando se trata de filmes mais sofisticados em torno do qual gira a temporada de premiações.

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Vários grupos do setor, incluindo a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que concede o Oscar, e o Instituto Americano de Cinema, que apoia o cinema, se reuniram para pensar em como iniciar campanhas públicas para convencer as pessoas de que os filmes ainda são importantes.

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Seth MacFarlane: produtor de televisão e criador da série "Family Guy" será o anfitrião do Oscar 2013

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Isso parecia óbvio há apenas alguns anos atrás. Mas o clima mudou bastante à medida que cada vez mais profissionais da indústria perceberam a mudança de impulso para a televisão. Até mesmo a maior noite de premiação de filmes irá alimentar essa tendência: A Academia selecionou Seth MacFarlane , um poderoso escritor e produtor de televisão, para ser o anfitrião do Oscar.

À medida que a temporada de premiações vêm a tona, os filmes ainda lutam para serem vistos no cinema. Depois de seis semanas em cartaz "The Master" , um estudo de personagem de 70 milímetros muito elogiado pela crítica, foi visto por cerca de 1,9 milhões de telespectadores. Essa é, talvez, metade do público que assiste a um único episódio de um programa de televisão como "Mad Men" ou "The Walking Dead".

"Argo" , outro candidato ao Oscar, teve cerca de 7,6 milhões de espectadores no fim de semana. Caso as pessoas continuem indo ao cinema para assisti-lo, pode ser que eventualmente ele coincida com o público de uma noite que assiste a um episódio de "Glee".

Este fenômeno possui algumas explicações.

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Filmes, quando exibidos nos cinemas, dependem de uma bilheteria para serem vistos; na televisão são grátis, uma vez que a assinatura mensal é paga. E desde que a série de televisão "A Família Soprano" aprendeu a conquistar os espectadores a longo prazo através do desenvolvimento de seus personagens, filmes conseguem fazer isso apenas em franquias de fantasia, como a série "Crepúsculo".

Reuters
Claire Danes com o Emmy 2012 de melhor atriz em drama pelo seriado "Homeland"

E o colapso na receita de aluguel de filmes, causada em parte pela pirataria, diminuiu os salários em filmes. Televisão, por sua vez, elevou sua remuneração e atraiu estrelas do cinema como Al Pacino, Dustin Hoffman, Laura Linney, Claire Danes e Sigourney Weaver.

Reservadamente, alguns membros da Academia disseram que ficaram um pouco surpresos pela escolha de MacFarlane como anfitrião do Oscar, no que parece ser uma tentativa de atrair espectadores que assistem ao seus programas de televisão, sendo o mais conhecido deles o desenho "Family Guy".

Separadamente a Associação Nacional dos Proprietários de Teatro solicitaram a seus representantes de relações públicas e consultores de publicidade para que lhes apresentassem propostas para um incentivo semelhante.

Os membros do conselho do Instituto de Cinema também têm procurado maneiras de despertar um novo interesse em cinema, disse Bob Gazzale, seu presidente. Gazzale afirmou que era muito cedo para discutir detalhes, mas uma outra pessoa informada sobre a iniciativa disse que o grupo havia considerado propostas diferentes como a de chegar a políticos proeminentes – como por exemplo, Bill e Hillary Clinton – para atuarem como supervisores de programas de premiação de cinema. O objetivo seria o de reestabelecer uma conexão com os espectadores que aos poucos procuram por conteúdo cultural em outras mídias.

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Em uma discussão na Universidade Estadual do Colorado, este mês, Allison Sylte, uma estudante de jornalismo, sugeriu que a Academia ajudou a romper a ligação entre sua geração e filmes de alto orçamento em 2011, quando elegeu como melhor filme "O Discurso do Rei" , que era um olhar ao passado, ao invés do filme "A Rede Social" , que olhava para o futuro.

"Então, o que isso significa para nós, como uma cultura?" Sylte perguntou de um vácuo que poderia ocorrer se os melhores filmes desaparecessem. O buraco, disse Gazzale, para quem a pergunta foi retransmitida, seria grande. "Filmes nos lembram de coisas que compartilhamos em comum", disse ele.

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