"Por criatividade, abro mão de ser pago", diz produtor de "Atividade Paranormal"

Famoso por filmes de terror de baixo orçamento, Jason Blum comenta os lucros estratosféricos da franquia e fala de novos projetos

Marco Tomazzoni - iG São Paulo |

Getty Images
O produtor Jason Blum e o ator Ethan Hawke

Um dos filmes mais rentáveis da história, "Atividade Paranormal" foi feito por US$ 15 mil (R$ 30,4 mil) e faturou em 2009 US$ 193 milhões (R$ 392 milhões) nas bilheterias. Desde então, sai uma sequência por ano, realizada nos mesmos moldes: orçamento baixo (não tanto quanto o primeiro) e lucros inversamente proporcionais.

No total, os quatro filmes – "Atividade Paranormal 4" estreou na sexta-feira (dia 19) no Brasil – custaram pouco mais de US$ 8 milhões (R$ 16,2 mi) e arrecadaram quase US$ 600 milhões (R$ 1,2 bi) ao redor do mundo, quantia que deve aumentar consideralmente nas próximas semanas com o novo longa-metragem.

A paternidade de "Atividade Paranormal" é do cineasta israelense Oren Peli , mas foi o produtor norte-americano Jason Blum quem transformou a fórmula em negócio. Sua produtora, a Blumhouse Productions, se especializou em filmes de terror e suspense, todos com orçamento mínimo e estética "found-footage", expressão em inglês para o gênero celebrizado por "A Bruxa de Blair", no qual a trama é contada através de imagens encontradas numa câmera ou feitas por um cinegrafista, na teoria, amador.

Nos últimos tempos, esse conceito evoluiu para incluir qualquer cena captada por uma estética real – câmeras de segurança, telejornais, webcams e o que mais vier. "Cloverfield", "REC", "O Último Exorcismo" e "A Filha do Mal" são apenas alguns exemplos de um tipo de cinema que mostrou agradar em cheio ao público.

Leia também: Oren Peli virou "guru" de Hollywood

Em entrevista ao iG  por telefone de Los Angeles, Blum recorda que foi mesmo "A Bruxa de Blair" o responsável por toda essa febre e até mesmo por sua aposta em "Atividade Paranormal". O produtor viu o filme em casa, em 2007, depois que o suspense provocou burburinho num festival de cinema fantástico.

"Passei muito tempo trabalhando com aquisições na Miramax nos anos 1990, e um dos filmes que deixei passar foi 'A Bruxa de Blair'. Tinha assistido, mas não agi rápido o suficiente. Aquela experiência sempre ficou comigo, então quando vi 'Atividade Paranormal', não pensei duas vezes. A ideia da equipe era lançá-lo direto em DVD, mas sabia que podia dar certo no cinema. Demoramos dois anos e meio para colocá-lo nas salas."

O resultado é conhecido. O que surpreende é que Blum manteve a mesma estrutura de produção para a franquia. "Atividade Paranormal 4" evidencia a maturidade desse modelo de negócio: começou a ser gravado em julho deste ano e, três meses depois, já está nos cinemas, com efeitos especiais concluídos e apoiado por ampla campanha de marketing. Em Hollywood, esse período não raro se estende por um ano.

Leia também: "Atividade Paranormal 4" tenta desvendar mistérios da série

O produtor despista ao falar do total gasto – diz apenas que é pouco até mesmo para um filme de baixo orçamento –, mas comenta que o cronograma enxuto serve como estímulo para a equipe. "É uma agenda bem apertada e temos seguido todos os anos. O fato de ter uma data de estreia nos pressionando deixa todo mundo focado. É estressante, mas também excitante e divertido."

Getty Images
O produtor Jason Blum

Para Blum, o baixo orçamento virou filosofia. "Não temos os recursos e não queremos fazer filmes caros. Por isso, blockbusters de ação e comédias com astros não se encaixam no nosso modelo de produção, até porque não gosto."

Siga o iG Cultura no Twitter

A aposta tem dado frutos. "Sobrenatural", do ano passado, custou US$ 1,5 milhão e arrecadou US$ 97 milhões. Já "A Entidade" estreou nos EUA na semana passada em terceiro lugar no ranking, atrás de "Busca Implacável 2" e "Argo" - só a bilheteria de US$ 18,2 milhões em apenas três dias é bem superior aos US$ 3 milhões investidos nas filmagens.

Além de lucros exponenciais, a independência financeira dos grandes estúdios garante controle total da companhia sobre os filmes. "Nós abrimos mão de ser pagos nas filmagens para ter liberdade criativa. Se o filme depois faz dinheiro, todos ganhamos; se não faz, tudo bem, mas ao menos fizemos o que queríamos", explica Blum.

Esse jeito próprio de trabalhar tem atraído parcerias interessantes. Barry Levinson ("O Enigma da Pirâmide", "Rain Man"), Joe Johnston ("Capitão América: O Primeiro Vingador", "Jumanji") e Michael Bay ("Transformers") já fecharam filmes com a Blumhouse Productions. O primeiro, inclusive, fez até um filme "found-footage", "The Bay", ainda inédito.

Jason Blum explica que o gênero, "para o bem ou para o mal", veio para ficar, até porque volta e meia alguém arranja um jeito de aprimorá-lo, como no caso de "Marcados para Morrer". O namoro sério de sua produtora com filmes de terror e suspense ele atribui mais uma vez ao orçamento, já que eles se ajustariam bem à falta de recursos. Isso não quer dizer que Blum não tenha aproveitado a fama – o empresário, usando o título de produtor de "Atividade Paranormal", abriu em Los Angeles a Blumhouse of Horrors, uma espécie de casa assombrada comum em parques de diversão no centro da cidade.

E ele não para por aí. Estão sendo desenvolvidas uma série de TV baseada na franquia, chamada "The Experiment", e uma versão latina de "Atividade Paranormal", que será falada em espanhol – a América Latina é um dos territórios onde a série de filmes é bems popular.

 Um quinto longa-metragem é mais do que certo, mas Blum desconversa. "Quando terminamos o terceiro, não sabíamos que teria um quarto. o nosso trabalho é primeiro acabar o filme e estreá-lo. Se houver um quinto, e espero que haja, vamos começar a pensar nele em dezembro ou janeiro", explica.


    Leia tudo sobre: jason blumatividade paranormalcinema

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG