Década a década, veja a evolução do cinema de terror

Acompanhe as mudanças do gênero desde os monstros clássicos até os atuais falsos documentários

iG São Paulo | - Atualizada às

Diferentemente do faroeste ou do policial, gêneros cinematográficos ditados por regras mais rígidas, o terror teve que acompanhar as mudanças sociais com o passar das décadas para não perder seu objetivo primordial: assustar as plateias.

Atualmente, um dos principais expoentes do terror é a franquia "Atividade Paranormal", cujo quarto filme da série estreia nesta sexta (dia 18) no Brasil.

Presente desde os primórdios do cinema, o terror teve início com adaptações de histórias da literatura de horror e personagens folclóricos, caso de "Dr. Jekyll e Mr. Hyde" (1913), "Nosferatu" (1922) e "O Corcunda de Notre-Dame" (1923).

A bilheteria deste último inspirou o estúdio Universal a apostar no segmento, inaugurando a franquia que ficaria conhecida como "Os Monstros da Universal". Ainda na década de 1920, o estúdio lançou cinco títulos da série, sendo os mais famosos "O Fantasma da Ópera" (1925) e "O Homem Que Ri" (1928).

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O ator Béla Lugosi como o Drácula

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Entre os anos 1930 e 1950, os monstros mais icônicos do estúdio ganharam suas produções. Os destaques são "Drácula" (1931), estrelado pelo ator húngaro Béla Lugosi, e "Frankenstein" (1931), personagem imortalizado pelo britânico Boris Karloff. Completam a lista "A Múmia" (1932), "O Homem Invisível" (1933), "O Lobisomem" (1941) e "O Monstro da Lagoa Negra" (1954).

Após produzir dezenas de sequências envolvendo os personagens citados, o estúdio percebeu que a fórmula havia desgastado e apostou na renovação do gênero. Com vampiros e lobisomens de lado, na década seguinte teve início um novo ciclo de terror, ditado pelo cineasta Alfred Hitchcock .

"Psicose" (1960) e "Os Pássaros" (1963) deixaram o tom caricatural da fase dos monstros e deram ênfase ao terror psicológico. Nessa linha surgiram filmes como "O Bebê de Rosemary" (1968), de Roman Polanski - apesar de flertar com o sobrenatural, mantinham o clima de suspense trabalhando sempre com personagens próximos do público.

Ao mesmo tempo, a American International Pictures (AIP) apostou em adaptações de histórias do escritor Edgar Allan Poe dirigidas pelo cineasta Roger Corman e estreladas por Vincent Price, das quais se destacam "A Orgia da Morte" (1964) e "Túmulo Sinistro" (1964).

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Christopher Lee como o Drácula da Hammer

Apesar de decadente, o nicho dos monstros sobreviveu fora da Universal. O estúdio britânico Hammer seguiu investindo em versões mais sangrentas de Drácula e Frankenstein, imortalizando os atores Peter Cushing e Christopher Lee. Do outro lado do Atlântico, o diretor George A. Romero dava início ao subgênero dos filmes de zumbis com "A Noite Dos Mortos-vivos" (1968).

As décadas de 1970 e 1980 foram marcadas por filmes envolvendo demônios, caso de "O Exorcista" (1973), de William Friedkin, "A Profecia" (1976), de Richard Donner, "Poltergeist - O Fenômeno" (1982), de Tobe Hooper, e pelo domínio dos roteiros onde um grupo de jovens é perseguido por um maníaco psicopata.

Esse momento marcou o surgimento dos novos "monstros" do terror, tendo como estopim o filme de baixo orçamento "O Massacre da Serra Elétrica" (1974), cujo protagonista é o assassino Leatherface. Depois dele surgiram Michael Myers, de "Halloween" (1978), Jason Voorhees, de "Sexta-Feira 13" (1980), e Freddy Krueger, de "A Hora do Pesadelo" (1984).

Outro que se tornou conhecido foi o escritor Stephen King. Duas adaptações de suas histórias chamaram a atenção da crítica e do público e garantiram a ele o título de "mestre do terror": "Carrie, a Estranha" (1976), de Brian De Palma, e "O Iluminado" (1980), de Stanley Kubrick.

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Jason Voorhees, da série "Sexta-feira 13"

Os anos 1990 não foram bons para os filmes de terror. A recuperação do gênero diante do grande público teve início com "Pânico" (1996), filme que retoma a ideia do psicopata assombrando jovens inserindo humor e reflexão sobre o próprio gênero. A série impulsionou filmes como "Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado" (1997) e "Lenda Urbana" (1998).

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A grande revolução desta década, que viria a influenciar o terror nos anos seguintes, foi a produção independente "A Bruxa de Blair" (1999). Com orçamento de aproximados US$ 500 mil (R$ 1,01 milhão), o filme dos amigos Daniel Myrick e Eduardo Sánchez arrecadou US$ 248 milhões (R$ 504 milhões) utilizando a estética do falso documentário.

O novo milênio foi marcado pela invasão dos filmes de terror orientais e pelas produções que não poupam o espectador de cenas fortes. O principal representante da primeira leva é "O Chamado" (2002), remake do original japonês "Ringu" (1998), enquanto "Jogos Mortais" (2004) e "O Albergue" (2005) integram o grupo de filmes que se notabilizaram ao abusar da linguagem gráfica para retratar vítimas sob tortura.

Os remakes também ganharam força nos últimos anos. O desejo dos estúdios em apresentar personagens consagrados a um novo público resultou nas refilmagens de "O Massacre da Serra Elétrica" (2003), "Halloween" (2007), "Sexta-Feira 13" (2009) e "A Hora do Pesadelo" (2010).

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A última grande onda do cinema de terror retoma o estilo de falso documentário de "A Bruxa de Blair". Produções de baixo custo como "[REC]" (2007) e "Atividade Paranormal" (2007) logo se transformaram em franquias milionárias. Enquanto a primeira, que aborda uma epidemia que transforma as pessoas em zumbis, chegou a sua terceira parte neste ano, a segunda, sobre assombrações registradas por câmeras de segurança, estreia seu quarto filme nesta semana.

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