Wes Anderson conta fábula de amor infantil em "Moonrise Kingdom"

Marcado pela excentricidade, trabalho do cineasta norte-americano encanta com inocência e elenco afiado

Marco Tomazzoni - iG São Paulo | - Atualizada às

Desde o seu primeiro filme, Wes Anderson abre as portas para um universo paralelo. É uma versão distorcida da realidade, na qual ninguém é normal, as famílias são disfuncionais, as roupas parecem saídas de uma casa de bonecas, a música parou nos anos 1960 e tudo está estranhamente alinhado e encantador. Se há alguém que claramente pode ser chamado de autor no novo cinema norte-americano, é Anderson, que mantém todas as suas marcas em "Moonrise Kingdom", em cartaz a partir desta sexta-feira (dia 12) no Brasil.

Em seu trabalho mais recente, exibido pela primeira vez no Festival de Cannes , o diretor de "Os Excêntricos Tenenbaums", "Viagem a Darjeeling" e "A Vida Marinha com Steve Zissou" investe na infantilidade de seus personagens anteriores, crianças perdidas em corpos de adultos, só que desta vez eles são crianças mesmo.

Situado em 1965, para tornar formal o clima vintage tão presente nos outros filmes, "Moonrise Kingdom" segue Suzy (Kara Hayward) e Sam (Jared Gilman), namorados aos 12 anos que fogem juntos para o interior de uma ilha no nordeste dos Estados Unidos. Órfão, Sam, de óculos e chapéu de guaxinim, deserta a tropa de escoteiros comandada pelo chefe Randy Ward (Edward Norton) enquanto Suzy, vestido curto, olhos maquiados e binocolo a tiracolo, deixa os três irmãos e os pais advogados (Frances McDormand e Bill Murray) sem olhar para trás.

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A dupla não tem amigos e, sem se importar com mais ninguém, pensa em criar um paraíso próprio numa região isolada da ilha. Sobreviveriam a partir dos conhecimentos de escoteiro-mirim dele, e os livros fantásticos que ela carrega na mala. Um mundo perfeito, com trilha sonora de Françoise Hardy, brincos feitos de anzol e filhotes de gato.

Essa versão própria de "Lagoa Azul" é corrompida pela operação de resgate que se desenvolve nos bastidores. O chefe Randy aciona a polícia local, representada pelo capitão Sharp (Bruce Willis, surpreendente), que tem um caso com a mãe de Suzy. Enquanto isso, os pais adotivos de Sam se negam a recebê-lo de volta e entra em cena uma assistente social de coração de pedra (Tilda Swinton), convicta no tratamento de choque como solução. Em participações especiais, estão Harvey Keitel, como um comandante escoteiro, e Jason Schwartzman, ator-fetiche desde "Três É Demais" e primo do corroteirista Roman Coppola.

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A excentricidade de Anderson continua a todo vapor – como explicar Bill Murray sem camisa indo cortar uma árvore a machadadas no meio da noite, com uma garrafa de vinho na mão? –, e sua obsessão pelo visual e detalhes, idem. Mas, neste que é seu projeto melhor realizado desde "Os Excêntricos Tenenbaums (sem contar a animação "O Fantástico Sr. Raposo" ), eles atuam não como protagonistas, e sim acessórios para contar uma fábula de amor infantil.

Se não se tem certeza desde o início, a fantasia mostra a certa altura estar correndo solta. Aí é só se deixar levar por um encantamento similar a acampar na sala de casa e ficar imaginando estar no meio da floresta. Uma história que cativa pela inocência, território que Anderson prova dominar como ninguém.

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