"A Floresta de Jonathas" foge da visão folclórica da Amazônia

Raro representante do cinema produzido no norte brasileiro, filme do amazonense Sérgio Andrade revela diretor que tem algo a oferecer

Mariane Morisawa - especial para o iG |

A Amazônia é um mistério para quem mora fora da região. Ela está na moda, gerando fascínio nos gringos, com seu verde infinito, fauna diversificada, rituais de xamanismo. Mas aquele espaço também está bem diferente e nem sempre corresponde a essa visão idealista, como mostra “A Floresta da Jonathas”, de Sérgio Andrade, raro representante amazonense num festival de cinema nacional – é o primeiro longa da região norte a ser contemplado num edital de baixo orçamento. O filme foi o último exibido na competição de longas de ficção da Première Brasil do Festival do Rio , na noite da segunda-feira (8), no cine Odeon.

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Jonathas (Begê Muniz) vive com os pais e o irmão, o farrista Juliano (Ítalo Castro), num sítio à beira de uma estrada, onde montaram uma barraca de frutas. Eles têm mais contato com os estrangeiros que passam por ali do que com os nativos da região. Jonathas não se encaixa: espeta-se nos espinhos de uma árvore, gosta de tocar violão enquanto outros garotos aprendem sobre o cultivo do tomate.

Enquanto Juliano é desobediente, Jonathas é comportado, mas, depois que o pai se mostra pouco feliz com a ideia de um acampamento, parte mesmo assim, ao lado da ucraniana Milly (Viktoryia Vinyarska) e do indígena Kedassere (Alex Lima). Para conquistar a garota, o inocente Jonathas sai atrás de uma fruta especial e aí trava um contato mais estreito do que gostaria com a floresta. No fim, diz o longa-metragem, a Amazônia é um mistério até para quem mora lá.

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A floresta é exuberante, mas também assustadora e ameaçadora. Apesar da riqueza, conseguir comida, por exemplo, não é tarefa fácil. Os índios jovens ainda podem deter o conhecimento da floresta, mas também tocam guitarra e andam de skate.

“A Floresta de Jonathas” foge da visão folclórica. Às vezes tem uma vontade muito grande de ser “de arte”. Com seus tempos alongados, acaba lembrando o cinema do tailandês Apichatpong Weerasethakul, que tem influenciado um bocado o cinema brasileiro, apesar de partir de uma mistura muito pessoal e original, difícil de replicar. De qualquer maneira, mesmo se nem sempre é bem-sucedido, “A Floresta de Jonathas” aponta para um cineasta que tem algo a oferecer.

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