“Dossiê Jango” alerta para necessidade de investigação da morte do presidente

Documentário recupera os dias da deposição de João Goulart, seu exílio e sua morte

Mariane Morisawa , especial para o iG |

Divulgação
Imagem de "Dossiê Jango"

O Brasil é um dos poucos países da América Latina que não investigou ainda a fundo os crimes cometidos durante a ditadura militar de 1964 a 1984, apesar de viver a democracia há tantos anos. “Dossiê Jango”, de Paulo Henrique Fontenelle, documentário em competição na Première Brasil, exibido na tarde do sábado (6), no cine Odeon, faz um apelo para que tudo seja levantado – sob pena de que se repita.

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O filme recupera os dias conturbados da deposição de João Goulart e seu consequente exílio no Uruguai, culminando com sua morte em circunstâncias suspeitas. Na época, estava à toda a atuação da Operação Condor, uma aliança entre as ditaduras militares do Cone Sul que permitia que agentes de um país infiltrassem-se em outros para perseguir militantes e políticos – o ex-ministro da Defesa do Chile, Orlando Letelier, foi morto num atentado em Washington.

Oficialmente, a morte de Jango foi por ataque cardíaco. Mas, por mais que ele sofresse de problemas no coração, há coisas inexplicáveis, como a falta de uma autópsia, os relatos de várias fontes de que ele era um alvo e o fato de ele e outros dois políticos importantes – Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda – terem morrido em circunstâncias suspeitas num prazo de nove meses. É preciso investigar, como defende o filme. Afinal, trata-se de um presidente da República, e até a Argentina, onde Jango morreu, abriu investigação sobre sua morte.

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Em termos de linguagem, “Dossiê Jango” é bem quadrado, alternando fotos e depoimentos. Mas cumpre seu papel. Há uma falha, no entanto: o documentário levanta a possibilidade de haver uma pessoa infiltrada no círculo íntimo de João Goulart, que poderia ter trocado seus comprimidos e provocado o ataque cardíaco. É legítimo que o filme tenha evitado expor alguém, até porque não tem papel de investigador. Mas a família não fala sobre o assunto, apesar da extensa participação de João Vicente Goulart e da viúva, Maria Teresa.

Programação *

Segunda (8), às 12h30 e 17h, no Roxy 3. Terça (9), às 14h e 19h, no Cinemark Botafogo 3. Quarta (10), às 16h, no Ponto Cine.

* confira antes de sair de casa

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