Festival do Rio: "O Som ao Redor" renova esperança para o cinema nacional

Mesmo sendo o primeio longa de ficção de Kleber Mendonça Filho, filme é o trabalho de um cineasta maduro, que sabe o que faz

Mariane Morisawa - especial para o iG |

Finalmente! Em seu nono longa-metragem – “O Som ao Redor”, de Kleber Mendonça Filho –, a competição de ficção da Première Brasil do Festival do Rio tem um candidato de verdade ao prêmio de melhor filme. A produção, que já tinha sido apresentada no Festival de Gramado e levado quatro Kikitos, inclusive melhor direção , desafiou a preferência pelo ineditismo no Rio baseado exclusivamente em sua qualidade.

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Divulgação
Cena de 'O Som ao Redor', de Kleber Mendonça Filho

Uma rua do Recife vem, como tantas outras Brasil afora, sofrendo com a violência. Um dia, Clodoaldo (o sempre ótimo Irandhir Santos) oferece seus serviços como segurança, gerando tranquilidade em alguns e uma certa desconfiança de outros. Enquanto isso, Bia (Maeve Jinkings), uma entediada dona de casa, incomoda-se com os latidos do cachorro do vizinho, que também tem a função de guardar a casa.

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Outros personagens são protagonistas de pequenas tramas que formam o panorama da vida de classe média no Brasil, com suas brigas entre vizinhos, relação com empregados domésticos, diferenças sociais e econômicas, consumismo. A história de racismo, privilégios e violência está presente o tempo inteiro – Francisco (W.J. Solha), ex-senhor de engenho, é proprietário de grande parte dos imóveis da região. Mas o diretor jamais cai no panfleto ou na aula. Tudo faz parte do cotidiano, às vezes de forma sutil, como é no país.

O som, como o título indica, tem papel primordial: Kleber Mendonça Filho, com a ajuda de sua equipe, transforma em trilha os ruídos da cidade, com seus bate-estacas e cachorros. Em suma, é o trabalho de um cineasta maduro, que sabe muito bem o que está fazendo, mesmo sendo seu primeiro longa de ficção.

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“O Som ao Redor”, exibido com sucesso em Roterdã e em outros festivais ao redor do mundo e elogiado pela crítica, é um grande filme brasileiro, como havia muito tempo não se via.

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