Longa narra a história de fotógrafo que é assaltado por ladrões em motocicleta e que em seguida são atropelados

“Disparos”, em competição na Première Brasil do Festival do Rio , é a estreia em longas de Juliana Reis. Como primeiro filme, tem suas qualidades. Por exemplo, embaralhar os papéis da vítima e do agressor no caos de violência em que se transformaram as cidades brasileiras. Como diz o letreiro final, infelizmente as histórias relatadas são baseadas em fatos reais.

Cena do filme 'Disparos', exibido no Festival do Rio 2012
Divulgação
Cena do filme 'Disparos', exibido no Festival do Rio 2012

Henrique (Gustavo Machado) é um fotógrafo profissional que, certa noite, é assaltado dentro de seu carro. Quando os ladrões em cima de uma motocicleta conseguem pegar seu equipamento fotográfico, uma caminhonete atropela os rapazes, deixando um deles estirado e ensanguentado no chão. Henrique sai do local, mas volta para pegar seu cartão fotográfico. Acaba sendo levado para a delegacia para prestar depoimento por negar socorro. Passa de vítima a acusado em poucos minutos. O delegado (Caco Ciocler) é um tipo cínico, daqueles que fazem mesmo quem não tem culpa de nada sentir medo.

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Essa trama poderia ser interessante o suficiente para explorar, até porque Henrique tem a forte suspeita de que o motorista da caminhonete atropelou os assaltantes de propósito, para protegê-lo. Mas um bom filme é feito nos detalhes e, aí, “Disparos” se perde.

Primeiro, a atenção se dispersa porque a diretora acaba incluindo penduricalhos como a histeria inexplicável da insuportável Bia, mulher de Henrique, a reação de uma turista francesa ao ver o assaltante no chão e o "boa noite, Cinderela" num amigo de Henrique.

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Há algumas cenas que simplesmente não fazem o menor sentido, principalmente as de Bia com Guto, assistente do fotógrafo. Sua divisão em capítulos, como as etapas de uma fotografia, também tem razão de existir. A linguagem visual, com coisas desnecessárias como tela dividida e uma fotografia pouco naturalista, num filme que pretende ser um retrato da realidade, também não ajuda. “Disparos”, assim, acaba ficando genérico e muito pior do que poderia ser.

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