"Me pediram um filme popular", afirma o diretor de "Até que a Sorte Nos Separe"

Roberto Santucci fala sobre a comédia com Leandro Hassum e Danielle Winits, que estreia com ambição de blockbuster

Marco Tomazzoni - iG São Paulo |

O sucesso de "De Pernas pro Ar" , visto por mais de 3 milhões de pessoas nos cinemas em 2010, fez de Roberto Santucci um diretor requisitado. Além de comandar a sequência do filme com Ingrid Guimarães , prevista para dezembro, ele lança agora outra comédia, "Até que a Sorte Nos Separe", que entra em cartaz nesta sexta-feira (5) com ambição de blockbuster - em mais de 400 salas, amparada por uma pesada campanha de marketing.

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A expectativa se dá pela união de estrelas da televisão – Leandro Hassum e Danielle Winits – e o potencial de um best-seller, uma adaptação de "Casais Inteligentes Enriquecem Juntos", de Gustavo Cerbasi. A vontade de levar o livro de auto-ajuda financeira para as telas partiu da produtora Gullane e da Paris Filmes, distribuidora de "De Pernas pro Ar", ansiosas por emplacar mais uma comédia brasileira nas bilheterias.

"Me pediram para fazer um filme popular, de grande público, aberto", comenta Santucci ao iG , pouco antes de embarcar para mais uma pré-estreia. "É um livro de muito sucesso, e a gente entendeu que era um momento que falava desse assunto, em que está sobrando um pouco mais de dinheiro no bolso do brasileiro."

O diretor convidou, então, Paulo Cursino para criar uma nova versão do roteiro, antes escrito por Anna Muylaert. Além de parceiro de Santucci em "De Pernas pro Ar", Cursino tem passagem por diversos humorísticos da TV Globo, entre eles "Zorra Total" e "Os Caras de Pau". Por conta disso, a escolha de Leandro Hassum como protagonista foi natural: logo o roteirista estava escrevendo o papel especialmente para ele.

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O diretor Roberto Santucci

Daí surgiu Tino, instrutor de academia bombado (outro ator, dublado por Hassum) que, dez anos depois de ganhar na Mega Sena, se transforma num boa-vida gorducho e esbanjador, casado com uma perua (Winits), com todos os estereótipos do novo rico. A vida de luxo da família entra em colapso quando Tino descobre ter torrado todo o prêmio de R$ 100 milhões e precisa da ajuda do vizinho, um consultor financeiro interpretado por Kiko Mascarenhas. É ele, mesmo que bem de longe, quem faz as vezes do material original do livro.

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Até porque a ideia, claramente, era abrir espaço para Hassum brilhar. "Fiquei impressionado com o talento dele. Um ator completo: sabe improvisar e dá um show nas cenas de emoção", comenta Santucci. A escalação de Danielle Winits, amiga do diretor, não foi tão óbvia, mas um teste tirou qualquer dúvida quanto à escolha. "Ela se encaixou perfeitamente no filme. Teve uma química muito boa com o Leandro."

Pensando em aproveitar ao máximo as caretas e tiradas espontâneas do humorista, veterano da stand-up comedy, a equipe montou um esquema especial nas filmagens para não deixar nada passar em branco. "A gente entendeu como ele trabalha, na primeira tomada é que as improvisações tinham mais frescor. Com isso, montamos uma estrutura com três câmeras para lidar com o improviso dele e o improviso em cima do improviso, dos outros atores junto com ele."

Parentesco com Hollywood

Com formação nos Estados Unidos, Roberto Santucci fez em "Até que a Sorte Nos Separe" seu trabalho mais aparentado com o cinema de lá. Na fotografia, na trilha sonora, no entretenimento ligeiro e até nas piadas que homenageiam outros filmes – há uma sequência inteira dedicada a "Flashdance" –, é o que de mais próximo o cinema brasileiro produziu nos últimos tempos de um produto influenciado pela indústria norte-americana.

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Leandro Hassum reencena trecho de 'Flashdance'

Santucci reconhece essa genealogia, inclusive pelas ligações diretas – "trabalhei seis, sete anos nos EUA, fiz faculdade lá e gosto do cinema americano" –, mas o curioso é que essa influência também se deu nas estratégias de mercado. Metodologia comum em Hollywood, as exibições-teste não são tão corriqueiras no Brasil e foram usadas em "Até que a Sorte...".

"Fizemos um teste muito grande, com 200 pessoas no Rio e em São Paulo. Identificamos os personagens que as pessoas mais gostavam ou não, os pontos que identificavam como problema ou vantagem e trabalhamos essas coisas. Tivemos uma recepção muito boa com a nossa versão da montagem, mas pode-se usar (os resultados) da maneira como quiser, até no cinema independente. Se aprende muito."

E até mesmo na velocidade Santucci está mais próximo dos EUA do que do Brasil. Enquanto o comum para um cineasta daqui é uma janela de três, quatro, até cinco anos entre um filme e outro, ele lança logo dois de uma vez só (assim como Breno Silveira ), sendo que "De Pernas pro Ar" saiu há um ano e meio.

O diretor concorda que é uma situação incomum, possível apenas por serem projetos de encomenda. "Estou atendendo a convites. É lógico que além de aceitar é preciso fazer um bom trabalho, que chama outro. Não é qualquer comédia que faz sucesso, não é fácil de fazer."

Ele mantém a mesma postura prática em relação à onda de comédias que invadiu o cinema brasileiro. Santucci admite que o gênero "estourou a boca do balão" nas bilheterias do país, mas que é "ingenuidade" achar que ele vá salvar o mercado.

"Em uma época se acreditava que o cinema espírita ia dar certo, depois os filmes de personalidades da música, o cinema de favela... Agora é a comédia. O cinema brasileiro produziu uma série de outros gêneros ao longo deste ano, inclusive comédia, com nomes famosos, diretores renomados, que não aconteceram. A culpa, garanto, não é do público."

É nas mãos desse mesmo público que Santucci coloca o destino de "Até que a Sorte Nos Separe". Segundo ele, tanto o distribuidor quanto os produtores estão muito otimistas com o desempenho do filme. A expectativa é de ultrapassar ao menos a barreira de 1 milhão de ingressos vendidos – neste ano, o único longa-metragem nacional a romper essa barreira foi "E Aí, Comeu?" . "Vamos ver. O público dirá o quão bom o filme é ou não."

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