Tim Burton apela a lembranças de infância em "Frankenweenie"

'Cresci com a impressão de que estava sozinho, que ninguém me compreendia, que me achavam diferente', disse o cineasta

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Sete anos depois de "Noiva Cadáver", Tim Burton retorna ao mundo da animação com "Frankenweenie", um filme autobiográfico no qual o cineasta americano usa as recordações de infância para criar uma bela homenagem ao cinema e seus monstros ( veja o trailer ao final do texto ).

O filme, que estreia em 5 de outubro nos Estados Unidos e em 2 de novembro no Brasil (antes, será exibido na Mostra de Cinema de São Paulo), tem como base o curta-metragem de mesmo nome filmado por Tim Burton em 1984, quando trabalhava como animador na Disney.

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Ironias do destino, o primeiro "Frankeneweenie" fez com que Burton fosse demitido do estúdio do criador do Mickey, onde o universo do cineasta era considerado muito sombrio para o público jovem.

Algumas décadas mais tarde, no entanto, e depois de Tim Burton proporcionar à Disney uma fortuna com sua versão de "Alice no País das Maravilhas" - US$ 1,02 bilhão de dólares em arrecadação mundial -, o estúdio deu carta-branca ao diretor para voltar ao mundo de "Frankenweenie".

A história não mudou: Victor Frankenstein, um pequeno menino solitário e apaixonado por ciência vê a morte de seu cão, Sparky, atropelado por um carro. Inspirado nas aulas de física de um professor excêntrico, ele consegue devolver a vida ao animal. Um "milagre" que ele não conseguirá esconder por muito tempo, especialmente dos colegas de classe, tão curiosos quanto desconfiados da façanha.

Mais emoção

Se o curta-metragem foi filmado com tomadas reais, esta versão longa é "stop-motion" (quadro a quadro), em preto-e-branco e em 3D.

"Era necessário que fosse em stop-motion e em preto-e-branco. É difícil de explicar, mas isso torna o filme mais emotivo", explicou Tim Burton na apresentação do filme na Disneylandia, em Anaheim, ao sul de Los Angeles. "Era tão importante para mim que se o estúdio tivesse optado por fazer colorido eu teria desistido."

O "stop-motion", já utilizado por Tim Burton em "Noiva Cadáver" (2005) e em "O Estranho Mundo de Jack" (1993), é uma das técnicas de animação mais antigas - e mais trabalhosas - do cinema.

Os personagens são figuras deslocadas imagem após imagem para recriar a ilusão do movimento. São necessárias 24 imagens e 24 reposicionamentos da figura para obter um segundo de filme.

À moda antiga

"Há algo de imutável no stop-motion: precisamos ter uma figura e movimentá-la 24 vezes para obter um segundo do filme. Isso lembra a origem do cinema e é por isso que certas pessoas amam esta técnica", explica Tim Burton. "Há um lado 'à moda antiga'. É tátil, é concreto. Muitos que trabalham com stop-motion amam justamente o fato de que nada mudou tecnologicamente desde a invenção do processo."

Com "Frankenweenie", Tim Burton também homenageia os filmes de terror, os monstros e atores que o acompanharam em sua infância em Burbank, um bairro da região Los Angeles.

As homenagens vão de Frankenstein, obviamente, com Sparky surgido dos mortos e remendado em todos os lados, mas também a Godzilla ou a atores como Boris Karloff e Peter Lorre, dos quais é possível observar alguns traços em certos personagens.

O cineasta reconhece que no filme "tudo é pessoal e baseado em muitas recordações", como por exemplo suas relações com os colegas de turma. "Cresci com a impressão, provavelmente compartilhada por muitas crianças, de que estava sozinho, que ninguém me compreendia, que me achavam diferente. E, no entanto, eu me considerava uma pessoa normal. Não tinha a impressão de ser um cara estranho".


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