'Não fazer filmes por tanto tempo me causou raiva por dentro', diz Leos Carax

Em 'Holy Motors', que ganha exibição no Festival do Rio, francês embarca em linguagem surrealista para abordar a existência humana

Valmir Moratelli - iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

Photo Rio News
O cineasta francês Leos Carax, do filme 'Holy Motors', no Festival do Rio

Assim como aconteceu no Festival de Cannes , em maio, “Holy Motors” é um dos filmes mais aguardados no Festival do Rio .

O longa quebra um hiato de mais de uma década sem filmar do festejado cineasta francês Leos Carax (de “Os Amantes de Pont-Neuf”), desde que lançou “Pola X”, de 1999.

“Isso de não fazer filmes por tanto tempo me causou uma certa raiva por dentro. É um mistério pensar como as ideias dos filmes surgem nas nossas cabeças. Elas simplesmente surgem. Com este não foi diferente. Queria fazer algo diferente, pequeno, em Paris”.

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A história de um homem - Senhor Oscar (vivido por Denis Lavant) - que transmuta o tempo todo, adquirindo diversas identidades e personalidades, tem como uma das atrizes principais a cantora e atriz australiana Kylie Minogue.

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Ao lado do diretor, Kylie falou aos jornalistas no começo da tarde desta terça (dia 2), no Pavilhão do Festival, zona portuária do Rio. “É uma oportunidade única atuar em algo fora do comum, fiquei surpresa e sem fôlego quando li o roteiro”, disse ela, bastante sorridente e se dizendo feliz por voltar ao Brasil pela terceira vez. As duas anteriores foram para se apresentar ao vivo, em 1992, no Rio, e mais recentemente em São Paulo, em 2008.

O ator principal, Denis Lavant, não pôde vir ao Rio. Ele interpreta nada menos do que 11 personagens bem diferentes que circulam pelas ruas de Paris e outras cidades francesas em uma limousine, fazendo o que bem entender de sua vida.

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Senhor Oscar parece desempenhar papeis, interiorizando cada um de forma completa. Está sempre sozinho, acompanhado apenas por Céline (Nastya Golubeva Carax), uma senhora loira aos comandos da imensa máquina que o transporta em Paris e arredores. É como um assassino consciente de seus atos, se movendo de assassinato em assassinato.

Tom surrealista

Um bate-papo entre limousines com direito a piscadinhas de faróis, entretanto, dá um carater quase lúdico ao apelo crítico de dialogar com as diferenças e a busca desenfreada por riquezas. Kylie, que já vendeu mais de 68 milhões de discos e recebeu prêmios como o Brit Awards e o Grammy, está à vontade no papel de uma mulher que se serve de uma dessas limousines. Por vezes, se compreende que tudo não passa de um sonho ou mesmo um surto do Senhor Oscar, um ser que viaja de vida em vida.

Uma das características principais de “Holy Motors” é o fato de dar um tom surrealista a algumas das cenas – o diretor prefere chamar de “ficção cientifica”. “Preferi optar por criar um mundo ficcional e abstrato, no qual se questiona a condição humana, onde todas as ações surgem num só dia. É um filme sobre a experiência de vida nos dias atuais”, explica ele.

Perguntado sobre o que espera da reação do público carioca, Carax disse que não se importa muito com este tipo de questão. “O mais importante é que meu filme chegue o mais distante possível de onde foi feito, em Paris. Se chegar a uma, duas ou dez pessoas, ótimo”, disse.

O filme será apresentado ao público no Cine Odeon, na Cinelândia, a partir das 19h15 de terça (dia 2), com direito a tapete vermelho.

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