Guilherme Fontes: "Tive que fazer novela atrás de novela para bancar 'Chatô'"

Ator e diretor falou com o iG sobre o polêmico filme, nunca concluído e que está envolvido em processo judicial

Marco Tomazzoni - iG São Paulo | - Atualizada às

AgNews
O ator e diretor Guilherme Fontes

"O 'Chatô' está pronto. O que eu posso fazer se as pessoas não acreditam?" Guilherme Fontes, 45 anos, garantiu ao iG  nesta quarta-feira (dia 26) que o polêmico filme pode ser lançado.

A novela que envolve "Chatô, o Rei do Brasil" ganhou uma novo capítulo na terça-feira (dia 25), com a condenação em primeira instância do ator e diretor Guilherme Fontes de devolver cerca de R$ 2,5 milhões à Petrobras , utilizados para a realização do longa-metragem, nunca concluído.

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O caso se arrasta desde a metade da década de 1990, quando Fontes, para fazer aquela que seria a sua estreia como cineasta, conseguiu autorização da Agência Nacional do Cinema (Ancine) para captar R$ 12,5 milhões através da Lei Rouanet, uma produção de grande porte até para os padrões atuais – corrigido, o valor corresponde atualmente a R$ 50 milhões.

As filmagens começaram em 1999, com Marco Ricca no papel do empresário das comunicações Assis Chateaubriand, mas logo suspeitas nas prestações de contas interromperam o repasse de recursos e, consequentemente, as gravações - que foram retomadas três anos depois. Mesmo assim, o filme não veio a público e Fontes virou alvo constante de processos de sonegação fiscal e de ações para devolver o dinheiro, o que até hoje não ocorreu, apesar das condenações.

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Por anos o diretor disse que precisava de verba adicional para poder acabar o trabalho. Ao iG , afirma que pagou ele mesmo o que faltava. "Tirei os recursos para finalização do meu bolso", contou. "As coisas ficaram muito difíceis, tive que fazer novela atrás de novela."

Fontes se diz "vítima do próprio personagem", na medida em que estaria sofrendo uma "perseguição pelos meios de comunicação" que levantam dúvidas sobre o projeto. "Sofri uma pressão psicológica tremenda, estão me culpando por todos os problemas do cinema brasileiro."

Ator frequente em produções da Rede Globo, Fontes cogita escrever um livro para "afogar as mágoas" e contar sua versão do caso, pois segundo ele "as pessoas precisar conhecer os interesses por trás das notícias de jornal". "Não vou ter palanque para me justificar, a não ser o meu bolso, que também uso para pagar os advogados."

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Com pouco mais de uma hora e cinquenta minutos de duração, "Chatô" deve chegar às telas até o final do ano, de acordo com Fontes. Uma distribuidora vai entrar como parceira (a negociação ainda não foi finalizada), mas a produtora de Fontes é quem vai encarar por conta própria a tarefa de colocar o filme nos cinemas.

O cineasta disse que, apesar de todos os problemas em sua vida pessoal, está satisfeito com a versão final do longa-metragem. "Falaram tanto do filme... São 10 anos de piada, chega. Agora eu quero rir."

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