Filmes pernambucanos são favoritos a prêmios no Festival de Brasília

"Era Uma Vez Eu, Verônica", de Marcelo Gomes, e "Boa Sorte, Meu Amor", de Daniel Aragão, têm maiores chances na competição de longas de ficção

Marco Tomazzoni - iG São Paulo |

Depois de uma semana longa de exibições nas desconfortáveis poltronas do Teatro Nacional, o 45º Festival de Brasília está prestes a revelar seus premiados na noite desta segunda-feira (24), com os longas-metragens pernambucanos encabeçando a disputa por Candangos, tanto em ficção quanto documentário. "Era Uma Vez Eu, Verônica" , de Marcelo Gomes, tem como trunfo a atuação de Hermila Guedes, favorita ao prêmio de atriz, num retrato sincero das indecisões de uma jovem recém-formada no Recife.

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É um dos candidatos fortes a levar o principal prêmio do evento, ao lado de "Boa Sorte, Meu Amor" . O longa de estreia de Daniel Aragão tem uma energia pulsante e representa o cinema jovem, menos preocupado com convenções, interessado em explorar sentimentos e dialogar com obras autorais produzidas lá fora. Seria uma aposta corajosa do júri oficial.

"Eles Voltam", dirigido pelo também pernambucano Marcelo Lordello, é mais convencional na narrativa, mas tão autêntico quanto na busca por uma identidade própria. Melhor resolvida, a história de uma pré-adolescente abandonada pelos pais na beira da estrada alia uma jornada de amadurecimento e uma corajosa reflexão sobre certa parcela da classe média urbana a um ritmo todo particular, que confere personalidade e, ao mesmo tempo, repele o espectador desavisado.

As produções ficcionais do Rio de Janeiro, que dividiam espaço com as pernambucanas, são mais desiguais. O destaque é "A Memória que Me Contam", nova investida de Lúcia Murat para explorar os anos de chumbo da ditadura militar e os grupos de resistência. O olhar dessa vez é mais amargo, uma reflexão dos resultados por quem brigou e pegou em armas pela liberdade. Um trabalho importante, de grande maturidade, mas com pompa e frieza demasiadas.

"Noites de Reis" e "Esse Amor que Nos Consome" são concorrentes menores. O primeiro aposta tudo na atuação do elenco competente, liderado por Bianca Byington e Enrique Diaz, mas não é o suficiente para resolver os problemas de roteiro. Já o segundo foi selecionado como ficção, mas tem cara mesmo de documentário, ao seguir a rotina da companhia de dança carioca Rubens Barbot – fica até injusto compará-lo com os outros.

Entre os documentários, "Doméstica" , do pernambucano Gabriel Mascaro (também destaque nos curtas-metragens com "A Onda Traz, o Vento Leva") é o que funciona melhor, ao investigar a dinâmica do papel das empregadas em diferentes famílias brasileiras. O bonito "Otto" , de Cao Guimarães, que dividiu opiniões, e o psicanalítico "Elena", uma surpresa da seleção, correm por fora.

"Olho Nu" , o ensaio sobre a vida de Ney Matogrosso, tem melhor chance nas categorias técnicas e ao prêmio do público, assim como "Kátia" , primeira transexual eleita no país, e o musical "Um Filme para Dirceu".

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