"Dredd" transforma tela de cinema em páginas de graphic novel

Visual é trunfo na adaptação das HQs, que perde pontos com história batida e furos no roteiro

Guss de Lucca - iG São Paulo | - Atualizada às

Criado em 1977 por John Wagner e Carlos Ezquerra, o personagem Joseph Dredd estreou nas páginas da revista britânica "2000 AD". Ambientadas na cidade futurista Mega City One, suas histórias mostravam como o Juiz Dredd lidava com a criminalidade num mundo apocalíptico em que as tarefas da justiça foram condensadas em um único funcionário - que tem autoridade para prender, sentenciar e executar.

As HQs de Dredd sempre tiveram como marcas registradas a violência e o fato do herói nunca remover seu capacete. Ambas as vertentes foram respeitadas nessa segunda adaptação. A primeira, estrelada por Sylvester Stallone em 1995, decepcionou os fãs dos quadrinhos pela leveza e por dar um rosto ao personagem.

A história começa com um dia comum na vida de Dredd (Karl Urban), o que envolve perseguições a criminosos, inocentes mortos e sangue nas ruas. Depois de conhecer o herói da história, o público é apresentado a novata Cassandra Anderson (Olivia Thirlby), que foi reprovada no exame dos juízes, mas é de interesse da Justiça por suas habilidades psíquicas.

Divulgação
Karl Urban como o Juiz Dredd

Para ter certeza do valor da jovem, Dredd é escolhido por seus superiores para avaliá-la durante um dia de serviço. Obviamente nesse dia tudo sai errado. Ao investigar um homicídio triplo, os juízes ficam presos dentro de um enorme edifício controlado pela traficante Ma-Ma (Lena Headey).

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Sem comunicação com o exterior, Dredd e a novata precisam lutar contra uma horda de criminosos até descobrir uma maneira de escapar do prédio. E até isso acontecer, muitos tiros serão disparados e muito sangue jorrará pelos corredores dos 200 andares do decadente complexo de Peach Trees.

O trunfo de "Dredd" é sem dúvida sua fotografia. Tanto os enquadramentos, quanto as cores e a iluminação colaboram para fazer do filme uma graphic novel no cinema. A droga produzida pela vilã, chamada de slo-mo (de slow motion ou câmera lenta, em português), cujo efeito faz com que o cérebro sinta o tempo passar a 1% da velocidade normal, é utilizada para permitir que o público acompanhe em detalhes as balas penetrando rostos e explodindo em sangue.

Apesar da beleza e de algumas frases de efeito, o roteiro não guarda muitas surpresas para o público, a não ser pelas diferentes munições que Dredd usa para cegar, incinerar ou eletrocutar seus inimigos. A violência é gráfica, mas está longe de chocar por sua estética plástica - algo justificável para um filme de ação.

Visualmente, "Dredd" é um filme digno do herói cult das histórias em quadrinhos. O roteiro ficou devendo, mas nada que atrapalhe quem só quer se divertir com tiros, sangue e a cara amarrada do juiz.

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