Sem Matt Damon, "O Legado Bourne" introduz com sucesso novo herói de ação

Com timaço de atores liderado por Jeremy Renner, filme inicia uma nova era para a franquia

Marco Tomazzoni - iG São Paulo |

Na papel do agente Jason Bourne, Matt Damon virou o rosto da melhor franquia de ação e espionagem da última década, com filmes que sem muito esforço entrariam em qualquer ranking do gênero.

Quando o ator e o diretor Paul Greengrass (este último o cineasta por trás dos dois últimos capítulos da trilogia, "A Supremacia Bourne" e "O Ultimato Bourne") desistiram de seguir em frente, o estúdio não cogitou enterrar uma marca que já havia rendido US$ 944 milhões em bilheteria e tratou de dar um jeito. Conseguiu: "O Legado Bourne", que estreia nesta sexta-feira (dia 7) no Brasil, inaugura uma nova era na série, dez anos depois que ela começou.

"Não tenho medo de ser comparado com Matt Damon", afirma Jeremy Renner; assista

Roteirista dos longas-metragens anteriores, Tony Gilroy, agora também na direção, bolou um modo inteligente de fazer com que o novo filme não entrasse em conflito com os outros, embora o compromisso com os livros escritos por Robert Ludlum fosse definitivamente para o espaço.

Brincando com a linha do tempo – ele já havia feito algo assim em "O Ultimato Bourne" –, Gilroy situou a história quando Bourne chega a Nova York e leva a público os cabeças das operações secretas e diretores da CIA, o serviço de inteligência dos EUA. Assustados, eles convocam Eric Byer (Edward Norton) para apagar pistas e evitar danos maiores. É uma ação paralela, portanto, aos acontecimentos do fim da trilogia com Matt Damon.

Divulgação
O diretor e roteirista Tony Gilroy

No lugar dele, entra Jeremy Renner, que depois de "Missão: Impossível" e "Os Vingadores", vai dando passos largos rumo ao estrelato – assista à entrevista do ator ao iG .

Em seu primeiro papel como protagonista desde "Guerra ao Terror", pelo qual foi indicado ao Oscar, Renner interpreta Aaron Cross, um dos integrantes da operação Outcome, experimento para criar supersoldados na mesma linha de Bourne.

Por meio do uso constante de medicamentos, os agentes têm força e inteligência ampliadas para encarar missões extraordinárias mundo afora – como gente infiltrada na Coreia de Norte e no programa nuclear iraniano.

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Em treinamento no Alasca, Cross escapa por pouco de uma queima de arquivo comandada por Byer. Enfrentando lobos na mão, pilotando aviões e com um punhado de identidades falsas, ele vai ao encontro da Dra. Marta Shearing (Rachel Weisz), uma das cientistas do programa, e que poderia ajudá-lo a superar a dependência dos medicamentos. Sempre, claro, com muita gente nos seus calcanhares.

Com 2h15 de duração (a maior de todos os filmes da franquia), demora quase uma hora para "O Legado Bourne" engrenar de verdade. Gilroy estava tão interessado em sustentar bem os bastidores da conspiração da CIA que encheu o início com nomes, oficiais, médicos e detalhes. O espectador desavisado vai ficar coçando a cabeça tentando entender a diferença entre Treadstone, Blackbriar, Outcome e outros codinomes enquanto a trama pula dos EUA para Coreia do Sul e Índia.

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O diretor também tem um estilo bastante diferente do de Greengrass, cuja edição frenética e cheia de imagens tremidas, para intensificar a experiência de quem assiste, influenciou um bocado de gente. Nesse sentido, Gilroy, que estreou na direção com o excelente "Conduta de Risco" (2007), é bem mais contido – nada de náuseas dessa vez. O que não quer dizer que ele seja inferior por conta disso. Verdade que não há nenhuma sequência vertiginosa, mas as cenas filmadas no gelo e a eletrizante perseguição em Manila , nas Filipinas (primeiro pelo topo de prédios, depois em cima de uma moto), mostram que Gilroy sabe o que está fazendo.

A franquia "Bourne" ganhou fama pela excelência do elenco, sempre afiadíssimo, e desta vez não foi diferente. Em participações menores, voltam David Strathairn, Joan Allen, Albert Finney e Scott Glenn, acompanhados agora por Oscar Isaac ("Drive"), Norton e Weisz, os dois últimos no auge da forma. Nisso, era impossível dar errado, inclusive na escalação de Renner.

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Consagrado recentemente como um rosto novo no mundo da ação, de novato o ator de 42 anos não tem nada. Tarimbado por papéis dramáticos – as indicações ao Oscar por "Guerra ao Terror" e "Atração Perigosa" são apenas dois exemplos –, Renner consegue injetar densidade em qualquer personagem brucutu, da mesma forma que Damon fez em seu Bourne.

Difícil dizer quem levaria a melhor numa briga, até porque Damon teve três filmes para mostrar o quanto era casca grossa. Um dos grandes acertos do roteiro de Gilroy, aliás, foi permitir a coexistência dos dois. Mesmo que o final seja um tanto apressado e decepcionante, fica a vontade de ver para onde Aaron Cross vai, o que já supera a desconfiança de quem torcia o nariz para ver um "Bourne" sem Damon.

Nisso, ganha-se um novo herói e o desejo de descobrir o que aconteceria se Cross e Bourne fizessem um filme juntos, possibilidade que "O Legado Bourne" deixa em aberto e que os produtores torcem para que se concretize.


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