"Não tenho medo de ser comparado com Matt Damon", afirma Jeremy Renner

iG fala com o protagonista de "O Legado Bourne", filme que amplia universo da série de ação

Marco Tomazzoni - enviado especial à Cidade do México |

Não faz muito, pouca gente sabia quem era Jeremy Renner. Duas indicações consecutivas ao Oscar – em 2010, por "Guerra ao Terror", e em 2011, por "Atração Perigosa" – mudaram o rumo das coisas. Com 42 anos, o californiano que precisou trabalhar como maquiador para pagar as contas se viu um astro de ação. Depois de dividir a cena com Tom Cruise em "Missão: Impossível - Protocolo Fantasma" e vestir a roupa do Gavião-Arqueiro em "Os Vingadores" , ele agora torna-se o novo rosto de uma terceira franquia: "O Legado Bourne", em cartaz no Brasil a partir desta sexta-feira (7).

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Embora os três livros escritos por Robert Lundlum nunca tenham sido sagrados para Tony Gilroy, roteirista da trilogia inicial, "O Legado Bourne" marca pela primeira vez um mergulho livre de amarras no universo do agente desmemoriado Jason Bourne, interpretado por Matt Damon em "A Identidade Bourne" (2002), "A Supremacia Bourne" (2004) e "O Ultimato Bourne" (2007). Sem o ator e o cineasta Paul Greengrass, que pularam fora do barco, sobrou para Gilroy, agora também na direção, ampliar a conspiração da CIA, a agência de inteligência dos EUA.

Getty Images
Jeremy Renner divulga "O Legado Bourne" na Cidade do México

Pois fica-se sabendo em "O Legado" que Bourne era apenas um integrante – bastante perigoso, é verdade – de um exército de supersoldados.

Depois que os incidentes dos filmes anteriores vêm a público, os cabeças do governo norte-americano decidem apagar pistas - o que significa matar os agentes que toparam virar cobaia de experimentos para ganhar força e inteligência fora do normal.

Um deles é Aaron Cross, o papel de Renner, que, em vez de recuperar sua memória, precisa escapar dessa queima de arquivo ao lado da cientista Marta Shearing (Rachel Weisz).

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Cross e Bourne são, portanto, personagens diferentes, mas é inevitável comparar um agente com o outro – afinal de contas, é o rosto deles que está nos cartazes.

Durante entrevista na Cidade do México para divulgar o filme, Renner disse não se importar "nem um pouco" com o paralelo. "Não tenho medo de ser comparado com Matt Damon. Não é meu problema, não tenho por que me preocupar com isso. Preciso me preocupar em ajudar o diretor a contar uma história. São coisas que não posso controlar, então comparem o quanto quiserem."

Renner é assim, direto, e dono de um senso de humor peculiar, que pode até parecer antipático – ele chegou a debochar do fato de a imprensa local começar cada pergunta com um "bem-vindo ao México". Por trás disso, há uma sinceridade aguda, e ele logo deixou claro que não quer saber de competir com Matt Damon. Disse, aliás, que gostaria de atuar ao lado dele em um futuro filme da franquia, possibilidade que "O Legado Bourne" deixa em aberto. "Sou um grande fã do trabalho de Matt. Queremos trabalhar juntos. Pode ser na série, como pode não ser."

Jeremy Renner fala ao iG da carreira, "O Legado Bourne" e futuro do Gavião Arqueiro:

O elenco, segundo ele, foi um dos fatores que o levaram a aceitar o papel em "Bourne" – Renner chamou Rachel WeiszEdward Norton , o "vilão" do filme, de seus "mentores". O ator se mostrou franco mais uma vez ao falar da experiência de trabalhar nas Filipinas, onde o desfecho da trama é situado. "Filmar (na capital) Manila não foi fácil. Há tanta pobreza que não sei se consigo processar isso até hoje. Mas eles têm um sorriso tão lindo, sempre, independente das adversidades, que há algo adorável em relação a isso, e inspirador."

É em Manila que se passa uma perseguição eletrizante, marca registrada da franquia, com Renner e Weisz a bordo de uma motocicleta . A preparação foi mais simples, aparentemente, do que o resultado na tela sugere. "Foi basicamente num estacionamento de Manila, com Rachel na garupa, para me acostumar com o que iríamos fazer e com o peso dela", contou Renner. "Não que Rachel fosse pesada, mas a moto era muito, muito leve, bem diferente daquelas que eu dirijo desde os 19 anos, motos grandes de rua."

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Mesmo o treinamento geral para o filme, no qual o ator distribui chutes e socos sem economia e pula do topo de prédios, não parece ter sido uma preocupação."A coisa mais importante que aprendi é me exercitar para evitar que eu me machuque. Foi algo que o sr. Cruise me ensinou", disse, lembrando o companheiro de cena de "Missão: Impossível".

Em janeiro, Renner estrela "Hansel & Gretel - Caçadores de Bruxas" . A trama segue a mesma linha de "Branca de Neve e o Caçador", ao tomar muitas liberdades com o conto de fadas de João e Maria (Hansel e Gretel, do original em alemão dos irmãos Grimm) e mostrar os irmãos que escaparam da casa de doces como adultos sedentos por vingança.

"Talvez eu seja louco, mas sempre achei que contos de fada tivessem finais felizes. Daí percebi que não só são tristes, mas terríveis", comentou Renner. "Hansel e Gretel foram quase comidos por uma bruxa, até que eles a mataram. Então mostramos essa fábula 15 anos depois, em que os dois pegaram toda a animosidade e raiva que tinham contra bruxas para virar caçadores, matam bruxas para viver. É um filme maiores para 18 anos, então crianças não poderão vê-lo."

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É o máximo que Renner prevê do futuro. Fora projetos mais autorais – está escalado para os próximos trabalhos do diretores James Gray ("Amantes") e David O. Russell ( "O Vencedor" ) –, ele ainda tem engantilhadas as sequências de "Os Vingadores", "Missão: Impossível" e muito provalmente de um novo "Bourne". Mesmo assim, ele não deixa o sucesso subir à cabeça.

"Cara, saber que você terá mais trabalho no futuro é um sentimento fantástico para um ator, enquanto nesse mercado todo mundo fica na luta para conseguir alguma coisa. Se me sinto bem? Estou feliz de poder fazer meu trabalho."

* O jornalista viajou a convite da Universal Pictures

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