Com Robert Pattinson, filme "Cosmópolis" oferece um festival de sexo e violência

Longa de David Cronenberg mostra o astro de "Crepúsculo" em cenas excêntricas, como a de um exame de toque retal dentro de uma limusine

Augusto Gomes , iG São Paulo | - Atualizada às

A certa altura de "Cosmópolis", o jovem bilionário vivido por Robert Pattinson recebe um médico dentro de sua limusine branca, para uma consulta de rotina. Entre os exames feitos, está o toque retal, em que o doutor introduz o dedo no ânus do paciente para detectar irregularidades na próstata.

Pattinson não apenas fica de quatro na limusine como faz uma reunião com uma de suas funcionárias enquanto o exame é feito. E ainda aparenta um misto de desconforto e excitação com a situação - sentimentos que são compartilhados por sua subordinada, vivida por Emily Hampshire.

A cena tem tudo para chocar as jovens fãs de Pattinson acostumadas com o romântico vampiro Edward Cullen da série "Crepúsculo". E não é um momento isolado do filme: em seus 109 minutos de duração, "Cosmópolis" oferece um festival de sexo, violência e excentricidades em geral.

Em Cannes: Robert Pattinson surpreende em "Cosmópolis", de David Cronenberg

Os espectadores acostumados a "Crepúsculo" certamente vão estranhar, mas quem conhece a obra do diretor David Cronenberg vai sentir-se em casa. "Cosmópolis" tem semelhanças temáticas e estilísticas com alguns dos melhores trabalhos do cineasta canadense, como "Gêmeos: Mórbida Semelhança", "Crash" e "Marcas da Violência".

No longa, Pattinson é Eric Parker, um bilionário que vive dentro de sua limusine. É no veículo que ele trabalha, faz sexo e recebe seu médico. A história toda se passa em um dia, quando Parker precisa atravessar a cidade para cortar o cabelo, enquanto recebe relatos de que alguém estaria tentando matá-lo.

Divulgação
David Cronenberg dirige Pattinson em 'Cosmópolis'

A trama consiste em uma série de encontros dentro do carro. Nele, Parker encontra a amante (Juliette Binoche, em participação pequena mas marcante), a esposa (Sarah Gadon), o médico (Zeljko Kecojevic) e uma série de funcionários (incluindo Samantha Morton e Emily Hampshire).

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Cronenberg está mais preocupado em discutir temas como a crise econômica e a sociedade de consumo do que em contar uma história com começo, meio e fim. Neste sentido, aproxima-se de "Crash" (1996). Mas, enquanto aquele filme tratava das relações entre sexo e consumo, este é focado no capitalismo e seus males.

Leia também: Cronenberg fala sobre "Cosmópolis"

Sem dúvida é um filme árido, difícil e com um humor negro que não é para todos os gostos. Mas que dá o que pensar - especialmente as sequências com Juliette Binoche e Samantha Morton, cheias de observações incisivas sobre o mundo atual. Méritos do roteiro e da direção de Cronenberg, e também do livro de Don De Lillo que deu origem ao longa.

O principal problema é que as melhores cenas estão concentradas na primeira metade do filme. Daí para o final, "Cosmópolis" vai perdendo fôlego - o encontro de Parker com o inimigo vivido pelo ótimo Paul Giamatti, que deveria ser o clímax da trama, não tem força se comparado ao que se viu antes.

E Robert Pattinson? Merece parabéns pela coragem em aceitar um papel oposto a sua imagem de galã juvenil e também por sua ótima atuação. Ele constrói um Eric Parker gélido e impassível, mas que deixa escapar medos e inseguranças por baixo da imagem de frieza. É sua melhor interpretação até hoje.

Assista abaixo ao trailer de "Cosmópolis":

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