"Possessão" retoma exorcismo, mas com espírito demoníaco judeu

Produzido por Sam Raimi, longa-metragem sobrenatural, que estreia no Brasil em novembro, é baseado em fatos reais

iG São Paulo com AFP |

Filme mais recente produzido pelo diretor Sam Raimi , "Possessão" (The Possession"), que estreou neste final de semana em primeiro lugar nas bilheterias do Estados Unidos, retoma o tema de uma manifestação demoníaca, agora um maléfico espírito judeu.

No longa-metragem, uma menina de 11 anos, interpretada por Natasha Calis, libera inocentemente o demônio Dybbuk de um pequeno armário de madeira. Segundo a tradição judaica, este espírito maligno, imune a crucifixos, possui e consome o corpo da vítima, que, em uma das cenas de maior impacto, vomita borboletas.

A atriz Kyra Sedgwick, famosa pelo papel de chefe de polícia na série de TV "The Closer", vive a mãe da garota, em uma angustiante corrida contra o tempo ao lado do marido Clyde (Jeffrey Dean Morgan, de "Watchmen"), de quem acaba de pedir o divórcio.

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"Sempre fui uma pessoa espiritual. Quando entro em uma casa antiga posso perceber se há ou não boas vibrações ali, ou fantasmas infelizes. Então, realmente não sou uma pessoa cética", afirmou Sedgwick na apresentação do filme à imprensa em Los Angeles, deixando aberta a possibilidade do filme ser "baseado em fatos verdadeiros", como alegam os produtores.

Para Morgan, o que torna a história verdadeira é o drama familiar subjacente. "O mais aterrorizante para mim neste filme é ver algo que acontece com seu filho. Este pensamento é pavoroso. Por isso, no meu caso foi muito fácil falar desta emoção, é muito real", declarou o ator, também conhecido pela série "Grey's Anatomy".

Apesar de seguir a mesma linha do clássico "O Exorcista", "Possessão" insere o gênero em um contexto moderno, ao mesmo tempo que tenta afastá-lo dos clichês cristãos. Mas como apresentar uma proposta diferente em uma indústria abarrotada de exorcistas?

Divulgação
Cartaz norte-americano de "Possessão"

"Precisamos reinventar a emoção", afirmou o diretor dinamarquês Ole Borneda. "Há tantas emoções tão copiadas. Alguém diz 'uma história de amor deve ser representada de tal maneira ou um filme de ação se interpreta de tal jeito'. Mas é necessário reinventar tudo, encontrar um momento verdadeiro, e isto acontece com frequência."

A chave, concordam o diretor e os dois atores principais, foi a a atuação da menina Natasha Calis, que foi escolhida após um teste no qual chorou ao improvisar que estava possuída por uma idosa polonesa.

"Foi muito intenso, emocional e fisicamente", disse Calis, agora adolescente. "Tinha que gritar tudo o que conseguia e foi divertido", completou.

O que não foi tão divertido para a jovem atriz foi a cena das borboletas, cuja imagem ilustra o cartaz do filme. "Fiquei muito assustada. Estava em um quarto escuro e jogavam baldes e baldes de borboletas, todas em cima de mim, e eu não conseguia ver. Depois, achei que foi uma experiência divertida, porque aprendi a ficar tranquila, apesar de estar louca por dentro", concluiu.

"Possessão" tem sua estreia nos cinemas brasileiras prevista para 2 de novembro.

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