Longa desperdiça boas situações, mas se salva na química de Steve Carell e Keira Knightley

Reuters

O que se espera de um filme sobre o apocalipse? Destruição, gente morrendo, não sem antes se arrepender de seus pecados? Explosões, correria, gritaria e uma dose de catarse? "Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo", que estreia nesta sexta (31), vai na contramão desses clichês ao fazer uma leitura intimista do dia do juízo final que, claro, não acontece como na Bíblia.

O longa, escrito e dirigido pela estreante Lorene Scafaria, pode ser lido como uma espécie de versão americana de "Melancolia" , para o bem ou para o mal. Subtrai-se qualquer densidade que há no filme do dinamarquês Lars von Trier por risadas numa comédia romântica agridoce - talvez doce demais para as possibilidades que a diretora não explora.

Faz sentido que as pessoas fiquem desesperadas em busca de amor e de redenção, ou que se reduzam à condição animal, seguindo seus instintos primitivos. Mas, no filme, o mundo está a caminho da destruição apenas para que Dodger (Steve Carell) reencontre o prazer de amar e possa melhorar a sua vida - embora todo esse conceito, na conjuntura de mundo apresentada, se manifeste tarde demais.

Keira Knightley com um de seus discos de vinil em
Divulgação
Keira Knightley com um de seus discos de vinil em "Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo"

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Já se sabe que a Terra está com os dias contados quando ele conhece sua vizinha boêmia Penny (Keira Knightley), que acaba de brigar com o namorado (Adam Brody) e tem hábitos estranhos como dormir por dias e carregar para onde vai alguns de seus mais preciosos discos de vinil - sua companhia para o dia em que o asteroide Matilda atingir o planeta.

Essa relação entre os protagonista se abre aos poucos - e enquanto existe a negociação e a desconfianca entre eles, o filme é mais interessante, abrindo caminhos que poderiam ser percorridos, mas dos quais a diretora desiste para optar pelo óbvio.

A química entre os atores ajuda e Carell - como em filmes como "O Virgem de 40 Anos" e "Amor a Toda Prova" - parece talhado para esse tipo de personagem: o sujeito de bom coração, mas um tanto bobão que precisa de um tratamento de choque para despertar.

As pessoas que cruzam o caminho da dupla - como um caminhoneiro que lhes dá carona e o ex-namorado de Penny, que construiu um abrigo com comida e armas e espera contar com ela para repovoar a Terra - trazem outras facetas de como as pessoas enfrentam esse momento drástico. São figuras interessantes que entram e saem sem deixar uma marca muito forte, embora seus veículos se tornem úteis para os protagonistas.

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A sacarina de "Procura-se um Amigo..." não é bem a resposta mais viável para o niilismo de "Melancolia" - até porque é covardia comparar os dois filmes. Enquanto von Trier é um cineasta experiente, com ideias sólidas e um projeto de cinema, Scafaria dá os seus primeiros passos. Acerta em alguns, erra em outros.

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