Documentos mostram interesse da Casa Branca em filme sobre morte de Bin Laden

"Zero Dark Thirty", projeto da cineasta Kathryn Bigelow, vencedora do Oscar por "Guerra ao Terror", contou com apoio do Pentágono

iG São Paulo com Reuters |

Documentos divulgados pelo Pentágono e pela CIA lançam luz sobre o interesse de autoridades da Casa Branca no projeto de "Zero Dark Thirty", filme de Hollywood que dramatiza a operação dos Estados Unidos na qual Osama bin Laden foi morto .

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Os documentos divulgados para o Judicial Watch, um grupo conservador, incluem e-mails entre altos funcionários do Pentágono e da Casa Branca discutindo esforços para cooperar com a cineasta Kathryn Bigelow e com o roteirista Mark Boal, ganhadores do Oscar por "Guerra ao Terror" , sobre o filme da captura de Bin Laden.

A controvérsia surgiu no ano passado quando a colunista do New York Times Maureen Dowd escreveu que o filme deveria ser lançado semanas antes da eleição presidencial de 6 de novembro. A estreia posteriormente foi adiada para depois da eleição, apesar do primeiro trailer de "Zero Dark Thirty" já ter sido lançado pela Sony Pictures. No Brasil, o filme chega aos cinemas em janeiro de 2013.

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Alguns críticos do presidente norte-americano, Barack Obama, incluindo proeminentes membros republicanos do Congresso, têm citado a cooperação do governo com os realizadores como parte de um suposto padrão de vazamentos deliberados de segurança nacional com intuito de melhorar a imagem de Obama conforme a eleição se aproxima. Obama negou veementemente que a Casa Branca vazou informações confidenciais delicadas.

Documentos publicados pelo Judicial Watch em maio indicaram que Bigelow e Boal haviam se relacionado com a CIA e altos funcionários do Pentágono antes de se envolverem com a Casa Branca.

O material recém-lançado parece confirmar isso, mas também indica que funcionários da Casa Branca queriam manter o controle sobre esse e outros projetos importantes na mídia sobre o ataque a Bin Laden.

Em uma mensagem ao vice-conselheiro de Segurança Nacional, Ben Rhodes, e ao vice-secretário de Imprensa da Casa Branca, Jamie Smith, em 15 de junho de 2011 – seis semanas após a captura de Bin Laden – o chefe de Relações Públicas do Pentágono, Douglas Wilson, pediu a "orientação" deles sobre até que extensão as autoridades de defesa deveriam cooperar com projetos de mídia sobre a incursão e o filme de Boal e Bigelow em particular.

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"O nosso compromisso global com Boal e Bigelow até hoje tem sido muito geral", escreveu Wilson. Mas, conforme o projeto evoluiu, disse ele, o Pentágono  "gostaria de receber orientação sobre os parâmetros".

Wilson afirmou que Boal e Bigelow estavam trabalhando com o Pentágono e a CIA em um "briefing inicial", e que Leon Panetta, então diretor da CIA, tinha dado a sua "plena aprovação/apoio" para tais briefings. Ele também disse que o então secretário de Defesa Robert Gates "compartilhava... admiração por seus esforços de filmes anteriores".

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