"O Gato do Rabino" diverte com felino falante e assanhado

Animação multicultural debate dogmas religiosos no clima das aventuras de "Tintin"

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Um tempo e um lugar em que os animais falavam e as pessoas de todas as religiões conviviam sem sustos, a Argélia dos anos 1920/30 é o cenário da esperta animação franco-austríaca "O Gato do Rabino". Nela, o cineasta e quadrinhista Joann Sfar acumula as funções de corroteirista e codiretor, a partir de sua própria história em quadrinhos.

A animação, que venceu o César da categoria em 2011, além do Grande Prêmio do Festival de Annecy, circula em versões convencionais e 3D, dubladas e legendadas.

Dividindo a direção com Antoine Delesvaux e o roteiro com Sandrina Jardel, Sfar - diretor de "Gainsbourg - O Homem que Amava as Mulheres" - conduz uma história divertida a partir do gato em questão, que nem tem nome, mas ao qual não falta personalidade.

O gato (voz de François Morel) pertence ao rabino Sfar (Maurice Bénichou), é culto e refinado, embora mantenha intactos os instintos da espécie - que o levam a não respeitar a integridade física do papagaio da família, depois do que subitamente o felino começa a falar.

Divulgação
Imagem de "O Gato do Rabino"

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Descolado e assanhado também, o animal é apaixonado por sua dona, a bela Zlabya (Hafsia Herzi), a filha do rabino. Lê para ela grandes obras da literatura mundial, como "O Vermelho e o Negro", de Stendhal, e faz de tudo para não sair de perto dela.

Chocado com a súbita tagarelice de seu bichano, o rabino não deixa de temer pela má influência do animal sobre sua filha. E dá um jeitinho de controlar seu tempo ao lado dela. Mas o ladino gato amolece o coração do rabino quando lhe anuncia que decidiu tornar-se judeu - e não vê a hora de fazer seu Bar Mitzvá (cerimônia judaica que marca a passagem do adolescente para a maioridade religiosa).

A formação religiosa do gato, levada adiante pelo rabino, dá oportunidade a vários conflitos doutrinários - não só com o superior do rabino, que não quer nem ouvir falar da conversão de um simples animal, como com o próprio gato. Ao ouvir as pregações, o felino põe em dúvida os dogmas, citando descobertas científicas, como o carbono 14, para pôr alguns deles em dúvida.

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Inúmeras peripécias pontuam a movimentada história com a entrada em cena de outros personagens, como o primo do rabino, Malka (Jean-Pierre Kalfon); e particularmente um pintor russo (Sava Lolov), que chega de maneira um tanto inusitada e lidera uma expedição rumo à Etiópia, em busca de uma Jerusalém mítica na África. Entre os viajantes, vai um devoto muçulmano, amigo do rabino.

A acidentada viagem, a bordo de um Citroen 1925, tem um clima de "Tintin" , e inclui um encontro com radicais muçulmanos, liderados por um príncipe linha-dura (Mathieu Amalric). Passageiro privilegiado da aventura, o gato vai correr vários perigos.

O multiculturalismo que dá o tom da história teve contribuição da própria composição multiétnica dos desenhistas da obra, feita por um time integrado por europeus, norte-americanos e japoneses.

Em tempo - com seu humor ferino, algumas cenas de violência e sexo, "O Gato do Rabino" não é indicado para crianças pequenas. A indicação etária é 12 anos.

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