"Insônia" cumpre cota gaúcha no Festival de Gramado

História adolescente com Luana Piovani é produto menor da safra recente de filmes jovens

Marco Tomazzoni - enviado a Gramado | - Atualizada às

O quinto dia de competição do 40º Festival de Gramado trouxe o representante da "cota gaúcha". Mesmo que não seja de forma oficial, todos os anos o evento seleciona ao menos um longa-metragem produzido no Rio Grande do Sul, nem sempre por méritos próprios, para privilegiar a cena local. Desta vez, o candidato é "Insônia", dirigido por Beto Souza, de filmes como "Dias e Noites" e "Cerro do Jarau", pouco conhecidos fora do estado. Entre os longas brasileiros exibidos até aqui, "Insônia" é de longe o mais fraco.

Divulgação
Luana Piovani e Lara Rodrigues no longa gaúcho 'Insônia', de Beto Souza

Adaptação do romance juvenil de mesmo nome, o filme tem o próprio autor, Marcelo Carneiro da Cunha, como roteirista. Este, aliás, é o principal trunfo da produção: os diálogos e a rotina de amadurecimento da protagonista, Cláudia (Lara Rodrigues), são adequados para a idade. Não é a primeira vez que um trabalho de Carneiro da Cunha chega às telas – em 2009, a diretora Ana Luiza Azevedo estreou o belo "Antes Que o Mundo Acabe" .

Siga o iG Cultura no Twitter

Nas mãos da equipe de "Insônia", no entanto, o material é desperdiçado. Orfã de mãe, Cláudia, de 15 anos, vive com o pai argentino, Rafael (Daniel Kuzniecka, galã da TV argentina), em Porto Alegre. Encucada com seu desinteresse por meninos, a garota conhece Andreia (Luona Piovani, que não veio ao festival) numa viagem pela serra e ganha, pela primeira vez, uma amiga mais experiente. Ela só não imaginava que Andreia ia se encantar por seu pai e os dois virariam namorados.

É um dos dilemas da menina, que conversa sobre tudo isso com Insônia, amigo virtual que lhe envia poemas e vídeos, digamos, motivacionais. Se comparados com as imagens que o protagonista de "Os Famosos e os Duendes da Morte" , outro filme adolescente, assiste na internet, os vídeos de Insônia parecem mais apresentações de Power Point, com frases coloridas dizendo coisas como "não há nada a temer a não ser o medo".

Justamente no visual o longa-metragem padece um bocado. As animações e vinhetas que levam a história parecem amadoras, enquanto a opção por passar cenas por um filtro similar a um desenho, talvez para conferir um ar "descolado", soa equivocada e desnecessária.

Leia também:  Argentino Juan José Campanella ganha Kikito especial em Gramado

Na mesma linha, a coprodução com a Argentina é a única explicação para a escalação de atores estrangeiros e a parcela da história filmada em Buenos Aires. Daí a produção fica artificial, sentimento latente ao longo de toda a projeção, que esvazia até mesmo os conflitos de Cláudia. Da dramaturgia ao elenco, falta sinceridade.

Isso faz com que "Insônia" seja um produto menor dentro um gênero jovem que o cinema brasileiro vem produzindo nos últimos tempos – além de "Antes Que o Mundo Acabe", "Desenrola" e "As Melhores Coisas do Mundo" são bons exemplos. Pode até ser que o longa tenha alguma chance com seu público-alvo. Se conseguir, o mérito será do autor, não do filme.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG