"Quero fazer qualquer tipo de personagem", afirma Du Moscovis

Ator está no elenco de "Corações Sujos", novo filme de Vicente Amorim, que estreia nesta sexta-feira; leia entrevista

Priscila Bessa iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

Há sete anos Du Moscovis optou por não assinar contrato com a TV Globo e se afastar de projetos longos na televisão, especialmente as novelas. A ideia do ator era abrir espaço em sua agenda para participar de projetos no teatro e cinema nos quais realmente acreditasse. A empreitada aparentemente está dando certo.

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Em “Corações Sujos” , novo longa de Vicente Amorim que estreia nos cinemas brasileiros na sexta-feira (17), Eduardo Moscovis, 44 anos, não é o protagonista. Na verdade, o personagem de Moscovis, um dos poucos brasileiros numa trama de elenco predominantemente japonês, aparece em apenas 5% do filme, segundo cálculos do próprio ator. O ator garante que o tamanho do papel não importa.

Isabela Kassow
Eduardo Moscovis é um dos poucos atores brasileiros no elenco de "Corações Sujos"

“Tenho interesse em fazer qualquer tipo de personagem, como foi esse aqui, que tem uma importância enorme na minha vida”, afirma Moscovis. No filme, baseado no livro homônimo de Fernando Morais , o ator interpreta um subdelegado da cidade interiorana onde se desenrola a história dramática de um grupo de imigrantes japoneses após a derrota na segunda guerra mundial .

"Corações Sujos" se passa no Brasil pós-Segunda Guerra. O anúncio do fim do conflito, no entanto, não marca o fim do período de violência em terras brasileiras. Os imigrantes japoneses que vivem no interior do estado de São Paulo, formando a maior colônia do país fora do Japão, se dividem em dois grupos. Os que acreditam na notícia do fim da guerra são chamados de traidores da pátria, apelidados de "corações sujos", e perseguidos.

O ator conversou com a imprensa durante a coletiva de lançamento do longa que aconteceu na terça-feira (7), no Hotel Marina Palace, no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro, ao lado do escritor Fernando Morais, do diretor Vicente Amorim e do roteirista David França Mendes.

Morais aprova o resultado da adaptação de seu livro para o cinema. “Jorge Amado costumava dizer que toda adaptação, seja de filme, de livro, o que quer que seja, é uma violência. Ele costumava aconselhar os autores dizendo o seguinte: ‘Se você não quiser aporrinhação não assista’. E eu lamento que nesse caso Jorge Amado tenha errado”, diz o escritor. E completa: “Porque eu não me aporrinhei. Na verdade, me emocionei”.

Isabela Kassow
Moscovis afirmou que seu personagem aparece em apenas 5% do filme, mas que o tamanho do papel não importa

Segundo ele, a decisão de incluir uma personagem feminina que não fazia parte da trama só contribuiu para a película. E, ao contrário do que foi comentado em algumas críticas, o autor não considera as cenas violentas exageradas. “Não é uma história de Tarantino, mas a violência inerente a esse episódio histórico não desapareceu. Tem cenas fortíssimas, mas ao mesmo tempo o filme é suave”, pontua.

O longa custou R$ 7,4 milhões e deve estrear com 50 cópias no Brasil. O diretor confessa que teve dificuldades na captação do patrocínio e precisou fazer teste de elenco via internet. “Falei com vários atores através do Skype porque não tinha dinheiro para fazer teste de elenco no Japão. Acabei fechando um elenco extraordinário, de profissionais que são astros no Japão”, afirmou ele, que contou com a boa fama pelo trabalho em “Um Homem Bom” (2006).

O diretor também teve a ajuda de uma tradutora para poder se comunicar com os atores e dirigir o filme. “Mas conseguimos usar essa barreira da comunicação, que é uma questão cultural entranhada também no filme, a nosso favor”, comentou.

Na entrevista coletiva, Moscovis falou sobre a admiração pelos colegas de elenco orientais e explicou por que decidiu intervir em uma das cenas do filme.

“Na cena em que o personagem do Du entrega a bandeira do Japão, a ideia foi dele”, contou Amorim. Questionado se costuma fazer esse tipo de interferência em seus trabalhos, o ator ponderou: “É algo de momento. Aquilo não era premeditado. O lance de entregar ou não entregar a bandeira. Naquele momento, me deu uma sensação que poderia ser de uma outra forma. Na maioria das vezes o que eu sugiro é que sejam gravadas as duas possibilidades”.

Para Moscovis, um dos trunfos de “Corações Sujos” é o fato de se tratar de uma história baseada em fatos reais. “É um filme poderoso”, afirmou. Com relação ao elenco majoritariamente japonês foi só elogios. “Tive uma participação muito pontual, mas foi uma experiência muito rica. Com um clima, um tempo de silêncio que acontecia no set, que é um tempo oriental. Esse tempo é precioso. Tinha horas que eu pensava: ‘Esse cara não vai falar nada?’ (risos)”, disse, bem-humorado.

O ator ficou receoso com a forma de interagir com os japoneses, mas garantiu que teve um retorno positivo. “Do pouco que participei foi um luxo. Teve a cena do interrogatório que era uma cena de silêncio. Meu personagem, um subdelegado, falava, o japonês resistia, olhava e não respondia. Teve uma hora em que eu perguntei: ‘Vicente, eu posso tocar no cara?”. E o Amorim: “Não sei, experimenta!” (risos)

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