"Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now!" faz mosaico musical do movimento

Apoiado em show comandado por André Abujamra, documentário pouco tradicional agrada público do Festival de Gramado

Marco Tomazzoni - enviado a Gramado |

Com apenas um longa-metragem na noite de domingo (12), em razão da cerimônia dos premiados da Mostra Gaúcha de curtas-metragens , o documentário "Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now!", de Ninho Moraes e Francisco César Filho, monopolizou as atenções. E se deu bem: o público aprovou o mosaico musical da movimento da década de 1960, já exibido no Cine Ceará .

Leia também:  Diretor define filme sobre tropicalismo como “experiência sensorial”

Mosaico porque, ao invés de um apostar num tom tradicional, "Futuro do Pretérito" escapa de qualquer formalidade e se apoia principalmente em um show gravado no Teatro Oficina, em São Paulo. Comandada por André Abujamra, responsável pelos arranjos e convidados, a apresentação ao vivo sustenta a narrativa, costurada por entrevistas, dramatizações e grafismos – o mais recorrente com Alice Braga, filha de Ninho Moraes, caracterizada como Lindoneia, musa do quadro de Rubens Gerchman e da música famosa na voz de Nara Leão.

Divulgação
Luiz Caldas em 'Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now!', de Ninho Moraes e Francisco César Filho

Sem preocupação em explicar cronologia ou fatos específicos, o filme pode deixar o espectador desavisado sem entender plenamente a revolução cultural capitaneada por Gilberto Gil e Caetano Veloso a partir de 1967. Mas os próprios diretores admitem que esse papel cabe ao documentário "Tropicália", de Marcelo Machado , previsto para estrear em agosto.

Eles se dizem o "lado B" da história e, com liberdade para tanto, fizeram o que bem entendiam. Ninho Moraes conversa com um passarinho, a atriz Helena Albergaria lê poemas de Torquato Neto e os entrevistados, ao invés dos protagonistas do movimento (a exceção é Gilberto Gil), são, por exemplo, o sociólogo Laymert Garcia dos Santos, José Miguel Wisnik e o filósofo Celso Favaretto.

Leia também:  Jair Rodrigues rouba a cena de "Super Nada", exibido em Gramado

É como se o filme levasse ao pé da letra a ideia antropofágica tropicalista, de deglutir influências estrangeiras e devolvê-las na forma de um produto original. "Nossas ideias são o remix de outras", diz um dos personagens. O roteiro e a edição de "Tropicalismo Now" vão por esse caminho, remixando a seu bel prazer conceitos, ideias e imagens. Daí saem debates interessantes, como o papel dos tropicalistas, mesmo involuntário, na indústria cultural, e a teoria de que eles seriam uma versão do movimento hippie "sem a caretice anglo-saxã".

O resultado entretém, e só seria melhor se o show, espinha dorsal de "Futuro do Pretérito", fosse mais cativante. Interpretadas por convidados pouco conhecidos – os expoentes são Luiz Caldas e o ator Alexandre Nero –, as músicas perdem a força, inclusive pelas versões "coloridas" de Abujamra, que chegou a combinar, orgulhoso, ritmos de Zimbábue, Hungria e Cuba numa mesma canção. Nada mais tropicalista, verdade, mas não por isso mais inteligente ou agradável.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG