Cinemateca abriga 6ª Jornada de Cinema Silencioso em São Paulo

Mostra reúne filmes mudos, com destaque para produções da União Soviética e da Alemanha

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Cena de "O Gabinete do Doutor Caligari"

Silencioso, de verdade, o cinema nunca foi, ou foi por um período. Nascido como experimento científico dos irmãos Lumière, surgiu atado à realidade. Georges Méliès, um mágico, ensinou o cinematógrafo dos Lumière a sonhar, enveredou pela ficção, o cinema foi para as feiras, tinha comentadores/narradores da ação na tela, acompanhamento musical.

Mas a estética era silenciosa - lentas fusões, quando não (um paradoxo) a aceleração da imagem, projetada a 18 quadros por segundo, e que Charles Chaplin utilizou para formatar a mímica de seu personagem Carlitos.

Tudo isso vale lembrar neste momento em que, em São Paulo, o cinema volta à feira. A velha história (re)começa. A Cinemateca Brasileira vira uma feira - um Salão de Novidades - para abrigar a 6.ª Jornada Brasileira de Cinema Silencioso.

Uma cinemateca é, em si, um museu do cinema, uma memória (viva) do passado. Debruçar-se sobre uma produção já centenária, ir aos primórdios, não representa apenas uma vontade de escavar neste passado longínquo. O que a Jornada quer fazer é promover o diálogo entre as obras do começo do século passado e o contexto atual do cinema.

Uma frase retirada do texto de apresentação dos curadores é exemplar - "A proposta é reunir diferentes contribuições para se pensar o cinema enquanto expressão nascida entre as técnica e a ciência, recuperando sua natureza popular nas primeiras décadas de vida."

Dois dos curadores, Adilson Mendes e Juliano Gentile, detalham a proposta deste ano. A Jornada nunca foi tão 'experimental' e, dessa maneira, como todo 'experimento', seus rumos vão depender da acolhida do público ao que os curadores programaram (existem mais dois - Felipe de Moraes e Rafael Zanatto).

O próprio termo "Salão de Novidades" evoca o salão homônimo do pioneiro brasileiro Paschoal Segretto e algo mais - busca relações entre as artes, no momento em que o cinema, com as artes cênicas visuais em geral, enfrenta o desafio das novas tecnologias. E viva o circo, não apenas por sua ligação com as origens - o cinema das feiras -, mas pelo uso que terá para as vanguardas do começo do século passado, especialmente no cinema russo, no momento em que a revolução de 1917 instala os sovietes (e uma concepção social e política que virou permanente motivo de discussão, ao longo do século).

A 6.ª Jornada resgata tradição e novidade (modernidade), de forma a surpreender cinéfilos de carteirinha. Uma seção intitulada Cinema Soviético dos Anos 20 - Massas e Poder vai resgatar experimentos que buscavam uma nova representação estética para a ordem social que deslocava o poder para a classe trabalhadora. Lev Kulechov e Jakov Protazanov anteciparam Sergei M. Eisenstein e V.I. Pudovkin.

Outra seção, Luzes e Sombras, privilegia a radicalidade plástica das imagens, com ênfase para a contribuição do expressionismo alemão, cujo grande clássico, "O Gabinete do Dr. Caligari", de Robert Wiene, será apresentado numa versão restaurada zero bala.

6ª Jornada Brasileira de Cinema Silencioso
Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Mariana
Telefone: 11 3512 6111
Grátis
De 11 a 19/8
Programação: www.cinemateca.gov.br/jornada/2012/index.html

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