Nelson Pereira lança DVD de Tom Jobim e prepara longa sobre Dom Pedro 2º

Aos 83 anos, diretor ainda vai rodar filme sobre a vidas de Roquette-Pinto; leia entrevista

Marco Tomazzoni - iG São Paulo |

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DVD de "A Música Segundo Tom Jobim"

Quando estreou em janeiro, "A Música Segundo Tom Jobim" chamou a atenção por não ter nenhuma entrevista, diálogo ou qualquer explicação que fosse. Bastou ao documentário se apoiar pura e simplesmente nas canções do maestro, interpretadas por ele mesmo ou através de versões curiosas para conquistar o público mundo afora.

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Era de se esperar, portanto, que o filme dirigido pelo veterano Nelson Pereira dos Santos chegasse em DVD repleto de extras, trechos saborosos que ficaram de fora da edição original. Não é o caso.

Em entrevista ao iG , o diretor adianta que a versão para o mercado doméstico terá como extras apenas entrevistas com a equipe e um registro da estreia mundial, no ano passado, em Nova York. Mais música? Nadinha.

"Os direitos custam muito caro", conta ele. "Nem pudemos usar alguns trechos, por exemplo, para fazer a publicidade do filme."

Pensando bem, faz sentido. Produto de exportação brasileiro desde os anos 1960, Antonio Carlos Jobim é um fenômeno no além fronteira que, mesmo depois de tanto tempo, ainda permanece valorizado. Na exibição especial do filme no Festival de Cannes, aplausos entusiasmados ressoaram pela sessão.

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"A música do Tom é muito conhecida mundialmente. Claro que pelo público de uma certa faixa etária – um garoto de 16 anos, nem aqui no Brasil vai saber. No Japão, é incrível como o público reage. Foi o primeiro país a comprar o filme."

Previsto para entrar em cartaz na França nas próximas semanas, o filme viaja no segundo semestre pela América do Sul: segue para um festival no Uruguai, em seguida pula para Lima e depois, Mar del Plata.

Não para por aí. Pereira dos Santos dirigiu um segundo documentário sobre o compositor, chamado "A Luz do Tom", previsto para estrear em janeiro. Inspirado no livro "Antônio Carlos Jobim: um Homem Iluminado", de Helena Jobim, irmã do músico, o filme reúne depoimentos de três mulheres fundamentais na vida dele: a própria Helena; a primeira mulher, Thereza Hermanny; e a última, Ana Jobim.

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Através do olhar feminino, o público vai descobrir detalhes da vida de Tom, o início de sua carreira profissional, o sucesso nos Estados Unidos, a paixão pelo Jardim Botânico e outras histórias que pouca gente sabe. Tudo, conta o diretor, intercalado por músicas cantadas por ele mesmo.

Embora tenha sido filmado antes de "A Música", "A Luz" vai estrear depois, com distribuição da RioFilme. A boa notícia é que, diferentemente do primeiro, somente digital, o segundo deve chegar ao circuito com cópias em 35mm.

Roquette-Pinto e Dom Pedro 2º

Aos 83 anos, Nelson Pereira dos Santos é um dos maiores nome do cinema brasileiro em atividade. Membro da Academia Brasileira de Letras, diretor de clássicos como "Rio 40 Graus" (1955) e "Vidas Secas" (1963), na linha de frente do cinema novo, ele não fala em aposentadoria e tem ao menos dois projetos já engatilhados para o futuro.

Um é um documentário sobre Edgar Roquette-Pinto, pai da radiofusão no Brasil. "Era uma figura extraordinária", lembra Nelson. "Sabia muita coisa, de antropologia, radiodifusão, linguística e até cinema. Humberto Mauro, que escreveu os diálogos em tupi de 'Como Era Gostoso Meu Francês' (71), contava que num final de semana foi para o sítio do Roquette-Pinto e lá era obrigatório falar tupi. Uma figura, que faz falta."

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Dom Pedro 2º em foto famosa: cinebiografia

No ano que vem, o cineasta deve dar início à produção de um filme de ficção sobre a vida de Dom Pedro 2º. Baseado numa biografia escrita por José Murilo de Carvalho, "confrade" de Nelson na ABL, o roteiro repassa a trajetória de Pedro de Alcântara, que assumiu o trono brasileiro aos 15 anos de idade e reinou por 49 anos, até 1889, proclamação da República.

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"Imagino, para abrir o filme, a seguinte situação: dia 15 de novembro de 1889, o imperador Dom Pedro 2º e a família encontram-se aprisionados no Paço Imperial, atual Praça XV, pelos militares que estão proclamando a República no Brasil. Nesse momento, dois tipos de pensamento emergem em sua cabeça: o primeiro, a longa luta travada para abolir a escravidão no Brasil; o segundo volta-se para uma certa senhora baiana e mulata", disse o cineasta, bem humorado, à Agência Estado.

Ele se refere à condessa de Barral, preceptora das princesas Isabel e Leopoldina, que manteve um relacionamento secreto com o então soberano brasileiro durante décadas. Será o contraponto ao lado político de Dom Pedro, atacado à época, mas hoje considerado um dos maiores estadistas da história do país.

* com informações da Agência Estado

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