Novo "Batman" é maior, mas não melhor do que o anterior

Último filme da trilogia sofre com vilão sem carisma, mas abre possibilidades interessantes para a franquia

Guss de Lucca iG São Paulo |

Com carta branca dos executivos da Warner, o cineasta Christopher Nolan deu início ao seu último filme da franquia "Batman" com a missão de tentar superar, em crítica e bilheteria, o longa anterior, "Batman: O Cavaleiro das Trevas" (2008).

Por diversos fatores a missão era quase impossível. O filme de 2008 colocou o herói contra o seu principal oponente, o Coringa, tido pelos fãs como o melhor vilão das histórias de Batman . Para ajudar, a elogiadíssima atuação de Heath Ledger fez com que o personagem roubasse o filme, garantindo ao ator o Oscar de coadjuvante.

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Além disso, Ledger morreu aos 28 anos em janeiro de 2008, cinco meses antes da estreia do filme. Apesar de trágica, a morte precoce do ator aumentou o interesse do público por seu último papel concluído - Ledger havia gravado algumas cenas de "O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus", mas não conseguiu finalizar sua participação.

Todo o burburinho, somado a uma edição com ritmo e a um roteiro competente, colaborou para que "O Cavaleiro das Trevas" atingisse a marca de US$ 1 bilhão (R$ 2,03 bilhões) em bilheteria.

Outra crítica: Batman ressurge, mas não tão poderoso quanto antes

Assim, não é surpresa que "Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge" não consiga superar seu antecessor. Isso não significa que se trata de um filme ruim. Mas a comparação é quase obrigatória.

Divulgação
Anne Hathaway no filme

A história se passa oito anos depois do término de "O Cavaleiro das Trevas". Agora, Gotham City é uma cidade pacificada com o auxílio da Lei Dent, que permitiu à polícia agir com severidade diante dos criminosos da cidade. Por causa disso, Batman saiu de cena.

O retorno do herói é marcado pela aparição de Bane (Tom Hardy), um perigoso mercenário que tem como objetivo mergulhar Gotham no caos, concretizando assim o plano do vilão de "Batman Begins" (2005), Ra's al Ghul (Liam Neeson).

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Indiretamente envolvidos no plano de Bane, a executiva Miranda Tate (Marion Cotillard), a ladra Selina Kyle (Anne Hathaway) e o policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt) colaboram para tirar o bilionário Bruce Wayne (Christian Bale) de seu exílio.

Para enfrentar a ameaça, o herói vai contar com um novo equipamento, o morcego - versão aérea do batmóvel desenvolvido por Lucius Fox (Morgan Freeman) no primeiro filme. O veículo, já revelado nos trailers, é responsável pelas principais sequências de ação e peça fundamental para o desfecho da história.

TV iG: assista a um vídeo de bastidores de "Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge"

Michael Caine e Gary Oldman, respectivamente o mordomo Alfred Pennyworth e o comissário Jim Gordon, continuam abrilhantando a franquia. Com ótimas atuações, ambos são fundamentais para impor ao herói reflexões quanto ao seu papel.

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Os pontos fracos de "O Cavaleiro das Trevas Ressurge" são dois: a falta de carisma do vilão e sua longa duração. Bane, ao contrário do Coringa, não é carismático, não entrega ao público nenhuma frase marcante. A duração do filme (13 minutos a mais que o antecessor) atrapalha pela quantidade de personagens em desenvolvimento na trama. Muita coisa acontece com muita gente e durante muito tempo, o que tira o foco do conflito entre Batman e Bane e prejudica o ritmo da história.

Talvez o mais interessante do último trabalho de Nolan na franquia seja a possibilidade que ele abriu ao encerrar o filme da maneira que encerrou. Sem spoilers, vale dizer que o diretor deixa a série com uma proposta interessante. Resta saber se a Warner estará disposta a encará-la. "Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge" é sem dúvida maior do que o filme anterior. Mas nem sempre maior quer dizer melhor.


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