Criador de "Atividade Paranormal", Oren Peli virou "guru" de Hollywood

Produtor introduziu padrão de custos baixos e lucros altos no mundo do terror; atualmente está em cartaz no País com 'Chernobyl'

Marco Tomazzoni - iG São Paulo | - Atualizada às

Um imigrante israelense se converteu na última década em um dos nomes mais importantes do cinema de terror mundial. Aos 41 anos, Oren Peli é o criador de "Atividade Paranormal", fênomeno de baixíssimo orçamento que explodiu nas bilheterias e deu origem a uma nova forma de se fazer negócio em Hollywood. A partir daí, o nome de Peli virou marca: ele estampa os cartazes de "Chernobyl" , em cartaz neste final de semana no Brasil.

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O diretor se mudou para os Estados Unidos aos 19 anos, o que explica seu sotaque carregado até hoje. Estudante de design e animação, começou trabalhando na indústria de games, por onde ficou um bom tempo. Ele sonhava, no entanto, em migrar para Hollywood. Como a oportunidade não surgia, Peli resolveu bancar a própria sorte: tirou US$ 15 mil do bolso e fez "Atividade Paranormal", que escreveu, dirigiu, produziu, filmou e editou.

Não que o terror fosse o gênero preferido do cineasta principiante, pelo contrário. Peli declarou mais de uma vez ter ficado traumatizado na infância ao ver "O Exorcista" (1973) e cresceu longe de qualquer filme remotamente assustador – nem mesmo o inocente "Caça-Fantasmas" (1984) ele teria se preocupado em assistir.

Pois Peli exorcizou os próprios demônios em "Atividade Paranormal", uma produção simples, que retomou a estética de "A Bruxa de Blair" (1999) por simular um caso real. O filme, teoricamente, recupera o material filmado por um casal de Los Angeles, que deixava uma câmera ligada enquanto dormia para tentar registrar a presença maligna que os perturbava à noite.

Divulgação
O primeiro 'Atividade Paranormal', lançado em 2009

Exibido em festivais de cinema fantástico em 2007, o longa chamou a atenção de olheiros da Paramount. O estúdio comprou os direitos de distribuição para as salas norte-americanas, mudou o final e lançou o filme nos cinemas em 2009. Foi um sucesso estrondoso: amparado por uma campanha de marketing engenhosa, os US$ 15 mil viraram US$ 193 milhões nas bilheterias mundo afora.

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A experiência serviu de lição para a indústria, que viu ali a chance de fazer baixos investimentos se tornarem lucros polpudos, desde que o produto fosse vendido da maneira correta. Peli repetiu a dose escrevendo e produzindo "Atividade Paranormal 2" (2010), rodado com apenas US$ 3 milhões, orçamento muito maior do que o do primeiro filme, mas ínfimo para os padrões hollywoodianos. A bilheteria foi polpuda mais uma vez: US$ 177 milhões.

A partir daí, Peli adotou os baixos custos como regra. Agora milionário, o produtor pegou mais US$ 1 milhão e se reuniu com Leigh Whannell e James Wan, criadores da série "Jogos Mortais", para lançar "Sobrenatural", considerado uma "volta às raízes" para a dupla do maníaco Jigsaw. Sucesso de crítica, o investimento mais uma vez retornou multiplicado: US$ 99 milhões.

Transformado em franquia, "Atividade Paranormal" ganhou uma terceira parte em 2011, a primeira a ultrapassar a barreira dos US$ 200 milhões em arrecadação. Animada com a repercussão, a Paramount criou a Paramount Insurge, braço independente responsável por prospectar projetos de terror de baixo orçamento, comprá-los e lançar nos cinemas com estardalhaço. O primeiro deles, "A Filha do Mal" , estrelado pela brasileira Fernanda Andrade , mostrou a eficácia habitual: custou US$ 1 milhão, faturou mais de US$ 100 milhões.

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Em poucos anos, Oren Peli passou de cineasta principante a ditador de tendências. Em 2012, emprestou seu nome para a série "The River" e escreveu e produziu "Chernobyl", assim como "Atividade Paranormal 4" – produzido a toque de caixa, para manter a média de um filme por ano, o longa-metragem foi rodado em junho e tem estreia marcada para outubro.

Peli ainda tem nas mãos "The Lords of Salem", novo filme dirigido pelo roqueiro Rob Zombie, e prepara seu segundo trabalho como cineasta, "Área 51", do qual não fala absolutamente nada. Prudência? Não: tino para negócios. Mais do que um fã de terror, Oren Peli se revelou um tubarão de Hollywood. Cuidado com ele.

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