'Valente' mostra que a Pixar também erra

Apesar dos sucessos de público e dos elogios da crítica, estúdio de animação já lançou produções fracas

Guss de Lucca - iG São Paulo |

A Pixar é normalmente elogiada por reinventar o cinema de animação. De desenhos feitos de maneira tradicional (com lápis e borracha), o estúdio promoveu uma revolução no mercado ao utilizar técnicas digitais em suas produções, além de histórias com roteiros originais. Apesar disso, a companhia também comete falhas.

O estúdio de animação foi fundado em 1979 como Graphics Group e reformulado em 1986 pelo chefe da Apple, Steve Jobs . Dá para dizer que o ponto de partida da empresa foi 1995,  data do lançamento de seu primeiro longa, "Toy Story".

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Até o lançamento de "Toy Story", a fórmula mais comum no mercado de animações era ditada pela Disney, que utilizava contos de fadas ou histórias bastante conhecidas para criar seus longas. "Branca de Neve e os Sete Anões" (1938), "Peter Pan" (1953), "Robin Hood" (1973) e "Tarzan" (1999) são alguns exemplos.

A Pixar destacou-se nesse nicho com produções como a série "Toy Story", "Procurando Nemo", "Monstros SA" e "Wall-E". Esses são alguns dos sucessos da companhia. Porém, até mesmo as mentes criativas que trabalham para John Lasseter (atual diretor de criação da Pixar e da Disney) eventualmente falham. Até hoje o calcanhar de Aquiles da empresa é "Carros 2" , tido como o mais comercial da empresa.

A história, que coloca os amigos Relâmpago McQueen e Mate em uma trama de espionagem internacional, não rendeu bons comentários após seu lançamento. No site especializado em cinema Rotten Tomatoes, apenas 38% das críticas avaliaram positivamente a produção - foi o primeiro trabalho da Pixar a receber uma avaliação negativa.

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Divulgação
"Carros 2" (2011) não recebeu sequer uma indicação ao Oscar de melhor animação

A maioria das críticas aponta a falta de calor e de encanto na história - além de funcionar como uma manobra para vender merchandising. Kyle Smith do jornal The New York Post, escreveu que "A Pixar provou que todos estavam errados ao fazer seu primeiro filme ruim, 'Carros' (2006). Agora ela conseguiu piorar sua situação com o tenebroso 'Carros 2'".

O reflexo foi sentido pela empresa no Oscar. A Pixar, que havia vencido o prêmio de melhor animação nos últimos quatro anos com "Ratatouille" (2007), "Wall-E" (2008), "Up - Altas Aventuras" (2009) e "Toy Story 3" (2010), não recebeu sequer uma indicação por "Carros 2".

"Valente", a nova animação do estúdio, passa por outro problema. Ao apostar em sua primeira protagonista feminina e arriscar-se no universo dos contos de fadas, a Pixar aproximou-se demais da Disney  e caiu em fórmulas comuns da empresa mãe (a Disney comprou a Pixar em 2006).

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Já no quesito bilheteria, não existe filme ruim da Pixar. Sua menor arrecadação, sem ajuste inflacionário, foi com "Vida de Inseto" (1998), com US$ 363 milhões (R$ 735 milhões). Mas o filme custou para a empresa US$ 45 milhões (R$ 91 milhões), o que revela um lucro de 8 vezes seu valor.

Já o pior custo benefício foi "Carros 2" (2011), que foi orçado em US$ 200 milhões (R$ 405 milhões) e rendeu um total de US$ 559 milhões (R$ 1,1 bilhão) - quase o triplo do que foi investido. Isso significa que mesmo com um argumento fraco, a Pixar continua ganhando dinheiro para bancar suas novas ideias.

Agora resta esperar os próximos filmes da companhia, como "Universidade Monstros" e "The Good Dinosaur" ("O Bom Dinossauro", em português), previstos respectivamente para 2013 e 2014 - será que vão mostrar uma Pixar mais inspirada?

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